Oh, ouro belo
dourado, amado
que faz elo
a tudo que está ao seu lado.
Oh, ouro poderoso
em sua escolha, rigoroso
tens em tua suave mão
a melhor opção.
Faz desejar ser tu,
a prata,
o bronze,
a pobre lata.
Oh, ouro
popular e querido,
ouro.
Amado por todos os homens
de boa fé
de má fé
de fé
e fé
que não tem, faz por bem
quero-lo também.
Ah, este ouro
guardado ou exposto
é sempre um tesouro
pois posto,
em qualquer lugar, brilha.
E mesmo que fosse esquecido
em uma ilha,
seria procurado
a luz de noite e dia
Oh, ouro
dourado, mulato
como gostaria de
ser como tu.
Ser lembrada em canções
receber prosas, cheias de paixões.
Ser bela, brilhar
Cativar a todos,
fazer-me desejar.
Oh, ouro
Como podes tu,
ser tão ouro?
Oh, como poderia
eu ser ouro
e a pedido de Deus
não sou prata,
sou apenas mulata;
não sou bronze,
nem ao menos lata.
Sou nada e te vejo ouro,
Oh Afrodite, perdoai-me
se a tua escultura ofendi
e portanto este fim
mereci.
Oh Afrodite, desculpe-me
se venho a te incomodar
mas se nem na escória da beleza posso entrar
deixe-me sair deste vale de ninfas,
pois estou cansada de ser humilhada
e me humilhar:
derrubando-me a qualquer moribundo
que ainda assim,
de tão feia, sou recusada
e chamada de pobre coitada.
'Oh feia, coitada de ti
por ser o que és!
Posso ser nada,
mas ainda sou mais do que tu:
pobre, coitada e feia.
Por que és assim?
Tenha pena de mim,
sou moribundo, e
a mim só adjetivos ruins
são atribuído; mas não preciso
desta esmola tão... pobre.
Vejo-me caído,
mas ainda não afundado.'
Oh, ouro
por que brilhastes tanto?
Ao seu lado, me vejo apagada
e mesmo longe de ti
ainda sou nada.
Oh, ouro
é tão duro ser ofuscada.
Bú?