Até que me esgote a voz


sábado, 21 de maio de 2011

asteriscos apagados.

Não é do tipo de coisa que tu encontras no chão. É ela que te encontra, e quase sempre é quando tu estás no fundo do poço, procurando um buraco ainda mais escuro e longínquo pra ecoar teus gritos.
Também não é do tipo de coisa que tu podes procurar até encontrar. Normalmente é ela que te encontra quando já estavas cansado de tanto procurar. São muitos cantos, muitos corredores e a gente passa a nossa vida perdido em largas avenidas. Pode-se dizer, também, que não é do tipo de coisa imprescindível na vida. No entanto, quando a gente encontra, ficamos perguntanto a nós mesmos como é que conseguimos viver tanto tempo sem. Não é do tipo de coisa perfeita, longe disso, mas tu vais encontrar sublime beleza nos seus mais profundos defeitos. E ela vai perceber todos os teus assim que cruzar o olhar contigo.
Bú?
 

* feito de asteriscos *

A Onipresença da Tua Falta.




Não sei se é todo esse tempo que passou, ou o pouco tempo que ainda falta passar.

Não sei se é o pouco que já se viveu, ou tudo que ainda nos resta viver.

Não sei se é o pouco se eu sei sobre você, ou o muito que ainda tenho pra descobrir.

Eu não sei de muitas coisas, mas poucas vezes tive tanta certeza de algumas.

Eu preciso da tua presença para, pela primeira vez, sentir genuína saudade. 

Eu preciso de você aqui, pra nunca mais te querer em outro lugar.




Bú? 
Paulo Leminski. me desvendando

terça-feira, 17 de maio de 2011

Não é sobre viagem.

A: Eu não sei o que dizer...
B: Não precisa dizer nada, apenas abra a porta e saia, simples assim, até porque você já está atrasado.
A: Não é tão fácil assim, não é apenas uma maçaneta girando, não é só uma porta abrindo. É na verdade uma porta fechando e uma chave trancando a porta pela qual eu me retiro...eu realmente não sei o que dizer, o que e como fazer...
B: Meu filho você não está se mudando ou indo viajar pra Conchinchina, você só está saindo pro seu primeiro dia de aula, em uma escola nova, precisa de tanto drama?
A: Saco, tchau mãe, devia ter dito que estou doente...

Bú? Era para ser engraçado...

segunda-feira, 16 de maio de 2011

E com as palavras digo o que você não viu em meus olhos

Toda doçura custa uma amargura...
E as suas mentiras, minhas verdades fingidas. Foi tanto tempo perdido e ele nem saiu do lugar... O que aconteceu todo este tempo que eu nem pude notar...
Quantos espinhos a nesta rosa em seus olhos?!
Olhei-me no espelho, enxerguei meus olhos, mas não vi meus erros.
Se olhe no espelho e ao ver os seus olhos, procure seus erros. Se não os enxergar, eles não existem pra você.
Promessas, juramentos, mentiras, guardados em um olhar, um simples erro que não se enxerga é um novo erro, que você certamente ira cometer. Toda escolha trás uma renuncia... Toda escolha...
Prefiro viver com minhas temíveis verdades na cabeça, do que com suas memoráveis mentiras no olhar.
Bú?

domingo, 15 de maio de 2011

"Em outros dias, em tempos atrás eu me vi tão perdido entre as cartas que você deixou. Lembranças que o tempo apagou"

Existem sentimentos que nos levam a fazer coisas inacreditáveis, inimagináveis e até, por vezes, patéticas. Colocam à prova nossas convicções, nossa capacidade de suportar a dor, a pressão e a angústia, só para deixar bem claro que somos bem maiores do que um dia achamos ser. Assim a gente olha pra trás e vê o quão longe chegamos.
Bú? "E eu que não sei como te falar já escrevi tanto pra cantar.
Mas se você não quiser ouvir, as canções já não me dizem mais nada. Poderiam dizer teu nome, poderiam dizer você..."

Quando com um passo, tu ficas a dois de distância...é porque ele também está indo embora...

Observo tuas escolhas e jamais me oponho a nenhuma delas, mas comemoro quando elas levam o teu caminho de encontro ao meu, mesmo que por segundos.
Minhas mãos ocupam meus bolsos para que tu não tenhas tentação de te deixar levar por elas. Minhas mãos vão te levar por caminhos que tu não vais gostar de percorrer. É que eu me vou por lamaçais, manguezais e, por inúmeras vezes, já me perdi em florestas das mais altas sequóias, de ramos tão frondosos a ponto de fazerem com que os raios de sol desistam de mergulhar no chão. E eu preciso de duas mãos pra escalar todas essas montanhas que se aproximam ao norte.
Desses cumes posso te ver caminhando, por muitas vezes de mãos dadas com outros passantes, nem que seja só pra pedir informação. É tudo tão triste, quando visto daqui de longe... são tantas almas solitárias de mãos cerradas, são tantas pegadas apressadas de gente que não sabe aonde quer chegar, tanto desespero nessa procura cega pelo que não se sabe o que é, mas que tanto se quer, que eu fico pensando se vale a pena voltar. 
Talvez tu nunca venhas a entender, mas eu já estou acostumada com a minha condição de incompreendida. É que tu não sabes como é frio o lugar de onde eu venho. É que tu não sabe como doem esses pontos ainda não-cicatrizados. É que não se passa pela tua cabeça que, toda vez em que abro meus braços, sinto esses pontos hesitando em permanecerem fechados, sinto as costuras esgarçadas, sinto o ar que faz arder minhas entranhas, sinto a dor de afogar de novo naquele mar salgado que por tanto tempo me privou de cravar os pés em terra firme.

Bú? "E eu que não sei aonde chegar já caminhei tanto pra encontrar"

Vem, atravessa este muro...vamos nos trancar na nossa merecida felicidade.

Eu queria te mostrar o meu sorriso, a minha alma...Mas não há estrelas no céu da minha boca. Eu queria te mostrar as minhas visões, os meus sonhos...Mas em meus filmes, eu sempre apareço sozinho. Eu queria te mostrar tantas coisas, Eu queria te dizer tantas coisas...Mas teu capítulo em meu livro é tão grande, que a capa se foi junto com as páginas que arranquei. Preciso refazer meu prefácio.
Existe um muro, um quarto escuro e uma vontade de colocar tudo abaixo. Reduzir a pó o obstáculo que eu coloquei entre nós. Existe uma memória, uma lembrança perene que me faz querer sair daqui de dentro e buscar em ti a força e o motivo que eu preciso, para começar a disparar chutes contra essa parede. Existe um pouco de pó, um resto de cimento, que denuncia que o responsável pela obra fui eu. O distraído arquiteto que projetou esse lugar sem janelas ou portas... e sem saída. 

Bú?

terça-feira, 10 de maio de 2011

SOBRE ESTE BLOG

Quando menos espero, me pego apalpando memórias 
em busca de algo que faça sentido para todos, 
e não só pra mim.
 Eu vivo em função de compartilhar 
minhas dádivas e meus demônios 
com aqueles que optaram por me seguir.
 Bú? Eu vivo em função dos que me seguem.

O Desterro.

 Percebe estar totalmente perdida, e resolve perguntar ao homem que ali estava sentado, entoando canções em troca de moedas:
- Aonde foi que eu errei?

- O brilho que emana da tua alma pode ser visto a qualquer distância. O teu erro foi querer mostrá-lo a um moço cego dos dois olhos.

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Bú? * - É, meu caro, talvez essas Meias não tenham sido realmente feitas para os seus pés

sábado, 7 de maio de 2011

Che.

Não chora, tua imagem está guardada. Teu sonho está armado e as mentiras são um grito de vitória, pois tudo isto é medo.
Não chora, tuas palavras já foram ditas não podem ser apagadas. Metiras ecoam mas não falam mais alto do teu eco, por mais adormecido que pareça, ele grita.
Não chora, tuas idéias são nossas motivações. Tentam superá-las, tentam desfazê-las e torná-las em mentiras, mas não podem.
Transformaram um ídolo em uma camiseta, um sonho em brincadeira e nossas vidas em dinheiro. Transformaram uma foto em status social, uma idéia em mentira e uma "crença" em estupidez.


Bú? Inteligência artificial fruto de uma organização, que aliena nosso povo.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

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"(...)Aos poucos ela foi descolorindo, perdendo o viço. Mas não era nada radical. Aliás, quase não se percebia. Nem ela mesma percebia o quão amargo era aquele individualismo fundamentalista de que se servia involuntariamente. E foi num dia igual aos demais, que não percebeu outra vez mas, a sua própria falta de ideologia lesionou sua honra irremediavelmente. E se trancou dentro dela pra não sair mais. 

E foi assim. Um por um. Foi naquela tarde que ela se matou. Sem sangue, sem choro, sem vela. Matou dentro dela aquela que sentia alguma solidariedade pelo povinho mais ou menos."


Bú? - 

"Já passou, já passou...quem sabe outro dia..."

"(...)Os sentimentos ela foi digerindo a prestações, como uma dívida que não se pode pagar de uma vez só. Devia para si mesma satisfações daquele vazio imenso e não dava conta de negociar com sua sanidade o tempo que levaria. A qualquer precipitação da saudade, respondia com conspirações infinitas.(...)"

Bú?

liveinskin.

 Naquelas semanas de abril/maio, eu me prendia a um insistente enredo de incertezas. Intenso, porém descontínuo.
Pessoas caminharam comigo e não puderam enxergar tudo que sou além do sorriso envergonhado e das palavras gentis. Poucos souberam que calei-me ao vê-los fingindo, pra que não se sentissem mal consigo mesmos.
Pois que eu me sinta mal por enxergar demais e que carregue comigo o que consigo perceber sem, simplesmente, ignorar.

Bú? É triste ser enganada, você passa a se auto-depreciar procurando motivos para que isso
 tenha acontecido. Dói por uma questão de ego. Mas o mais arrasador é saber que alguém precisa enganar para se sentir superior, para ostentar uma felicidade fajuta, e tudo isso também por uma questão de ego.  ...Só lamento...
delicadeza a mais contundente resistência