Até que me esgote a voz


segunda-feira, 8 de abril de 2013

Caixa de bombons


"E desde então, sou porque tu és

E desde então és

sou e somos...E por amor

Serei... Serás...Seremos..."






Não quero alguém que me complete. A metade de mim sou eu inteiro, sou e existo independente de outro ser humano. O irônico é que justamente essa percepção, que torna interessante estar com outro ser humano. Não se procura uma metade, vive-se com um inteiro. Fomos destruídos e refeitos, esquecidos e transformados, recomeçamos de um impacto. Cada um de nós é a totalidade de momentos que tivemos, pessoas que conhecemos e é isso que forma a nossa história, como nossas músicas favoritas que tocamos em nossa mente várias vezes; são momentos de impactos que nos refazem, que definem quem somos - em diversos momentos ao longo da nossa vida
Deparei-me comigo inteira, porém fragmentada após uma sequencia desses impactos da vida; encontrei contigo fragmentado, porém inteiro pois nos refazemos cotidianamente principalmente quando estamos recomeçando pós-impacto.
Não procurei em mim o pedaço que faltava em você, não vi ausência de nota na sua melodia; você não buscou em mim o que te faltava, não encontrou notas que excedessem minha partitura.
Nos encontramos desfeitos em nossa completa harmonia, contraditória.
Foi assim que nos vimos, foi assim que demos as mãos preenchendo os vão que existem entre um dedo e outro, mas que não se encontram na totalidade da alma.

Foi o impacto da caixa de bombo que me reformulou mais asmática, é preciso suspirar constantemente ao seu lado para encher os pulmões. Foi ao te dar a mão sem entrelaçar o dedo que vi: não precisamos de pontos de contato que se encaixam para nos encontrarmos com perfeição.

Bú?Foi completo que te encontrei, é completa que me despeço.