Até que me esgote a voz


quarta-feira, 4 de março de 2015

Sobre o inicio do ano novo antecipado.

Ah, meu amor, a paz é tão passageira.
A paz atravessa o céu como fogos de artificio recém lançados.
E quando acaba, se desfaz sobre nossas cabeças como chama. O fogo da inquietude paira sobre nós.
A paz, assim como a guerra, deixa seus rastros, de passagem forte e fugaz.
Quem pode esperar tanta calma, tamanho sossego?
A paz atravessa o céu como fogos de artificio, e quando acaba desce a Terra como barulho.
Aqui, entre nós, meu amor; ao olhar pela janela, quem esperava ver um céu tão límpido? Ao abrir a porta de casa, quem esperava ver tudo tão arrumado?
há na paz um cheiro de primavera, florida, prestes a acabar.
Ao encontrar-se com uma rosa, bela, vívida, que acabou de desabrochar a pouco tempo do fim das flores, pergunte-, aqui entre nós, meu amor: Há na plenitude um gosto de fim?
Há na beleza um tom de morte?
A paz atravessa o campo como vento, desfazendo e refazendo tudo que a terra enraizou e enraizará.