Suicide Girl and The Ghost - Para todos aqueles que pararam de acreditar na imensidão do amor:

Parei de caminhar pela marquise, com medo da chuva. Me deixei atingir por raios. É intensa, a vida de quem corre na chuva, sem desviar das poças d'água. É imprevisível, a vida de quem caminha sem medo de escorregar, de olhos fixos no horizonte, desatento às pedras no chão. E entre "não faça isso" e "faça aquilo", a gente passa a caminhar por estradas cada vez mais estreitas, quase claustrofóbicas. São tantas as lições que a vida nos dá, que, por vezes, vemos nosso mundo se restringir a minúsculos cubículos cercados por instransponíveis muralhas. Assim a gente pára de caminhar, e passamos a viver em um eterno ciclo repetitivo. E é quando essa situação se transforma numa chaga insuportável, a gente apalpa as próprias costas e descobre que somos dotados de asas. Lá de cima, a gente pode acompanhar todos os caminhos que deixamos de percorrer, por medo de colecionar novas - e mais doloridas - cicatrizes. Tomados pelo arrependimento, descobrimos que nossa estrada não é de duas mãos.

Eu já tentei, eu já quis desistir; mas quando chega a noite eu não posso dormir, pois quando fecho os olhos nenhuma luz se apaga.
Verdade... Quem é capaz de conviver com ela?
Vontade... De um dia jogar tudo para o ar. E viver sabendo que não há nada depois; viver sem esperar por quem nunca existiu.
Salvation under my breath, just breathe

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sexta-feira, 11 de novembro de 2011

A verdade é inegavel, ninguém quer ser mortal - Apolo


A primeira coisa que notavam nele era a aparência. Alto, moreno, com um sorriso reconfortante que parecia não esconder nada: aquele tipo de beleza fácil que não pode ser estragada pela tensão ou por doença, como algo feito de ouro, de modo que mesmo se você o entortasse ou fundisse, permaneceria sempre puro e belo. Era assim que eu o via, desde quando era uma menina e olhava para ele na sala de aula. Mas não era só eu; era assim que todos o viam.
A beleza é uma lente que distorce. Ele tinha aquele tipo de fisionomia que é sempre recebido com sorrisos e apertos de mão, olhadelas extras, olhares que duravam um instante além do normal; um sorriso e um rosto que não eram esquecidos com facilidade. Até a forma como ele segurava o cigarro, ou como se inclinava para amarrar o sapato, tinha uma certa graça masculina que fazia com que as pessoas quisessem esboçá-lo. Que forma mais torta e confusa de se viver. Ser observado em qualquer lugar a que se vá. Ser alguém que as pessoas anseiam por possuir, e estar habituado a tal sensação; ser desejado tão imediatamente, com tanta frequência, que a própria pessoa nunca soube o que ela mesma talvez desejasse.
E o mais 
incrível, como poderia saber eu que ele um dia seria meu?  E que apesar de todo o desejo alheio, o meu era o único que o atraía? Espero que você siga decifrando cada uma das minhas pequenas transformações, como mágica. Que continue a ler em braile a invisibilidade das minhas afliçõesQue consigamos desvendar intenções alheias em um só olhar, para que possamos nos proteger de qualquer forma não sincera de  aproximação. Que saibamos o quão especial somos como indivíduos e o quanto isso nos torna uma conjunção escrita em caixa alta. Queira me fazer feliz, não para mostrar aos outros o quão feliz é quem está ao seu lado, mas que o faça pelo prazer em me ver sorrir. Que meu olhar percorra cada parte do teu corpo e que leve consigo a suavidade do meu toque. Que eu descubra, conheça e decore-o em sua completa peculiaridade, para que – se longe – eu possa acessar sua anatomia em meus arquivos de memória afim de minimizar a angústia da saudade.
Bú? E assim o nosso amor há de se mentar encantadoramente espontâneo - pena que isso não é real, não existe pra mim. (no final tudo são lágrimas de uma suicida)