Sobre a ansiedade do fim de verão:
Nesses tempos tenho visto as nuvens da chuva sobre a cidade, eu enxergo com clareza o cinza afugentando as cores. E a saudade das diferentes nuances de cores atacando os cidadãos, os fizeram fugir munidos de guardas-chuvas.
O instinto que me instigava a me limpar da multicor demasiada saturada de matiz intensa, foi o mesmo que me segurou para analisar a transição dos tons, do brilho, ele dizia:
Segure-se, não vai demorar muito.
As cores vão retornar aos seus donos, e os cidadãos hão de emergir de suas capas.
Vejo o medo assumir; e os corações endurecidos com a proximidade do temer, batem com dor e por isso odeiam amar.
E então o desejo infantil de afagar um gatinho, ou ter um jantar romântico me impulsionavam a ter um amante; mas, ao mesmo tempo esse desejo infantil de fugir e me esconder entre as minhas muralhas feitas de coberta e travesseiro, fizeram-me observar, aqueles desejos antagônicos dialogavam com a minha consciência dizendo:
Segure-se, não vai demorar muito.
Todos irão ver, o amor e os amantes surgirem do silêncio e, das capas de chuvas há de emergir casais.
Bú?! Podemos mudar de roupa, de época do ano, de estação, de companhia, só não podemos sair desta pele que delineia a nossa alma a realidade física que vivemos, nossa casa é onde o nosso coração está.