Até que me esgote a voz


quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Com Ana Verde

Ela era verde e ser verde não era fácil.
Ser verde, não é ser azul que lembra o belo céu, que nos banha com o imenso mar; também não é ser amarelo brilhante como ouro; muito menos vermelho forte como sangue, cheio de calor como a paixão.
Ser verde é ser assim meio esverdeada, como floresta, como folha. E ser verde mato que era sinônimo fim, já que a floresta já não andava tão viva assim. Enfim, era verde e teria que sobreviver com toda aquela cor...verde.
Mas ainda verde, ela tinha um rapaz bem colorido ao seu lado, este mudava de cor de acordo com a transição de segundos em anos, e ela passou muitos anos esperando para fazer parte de fato da sua vida.
Ele era um arco-íris, era cheio de cor, que iluminava... podia-se enxergar longe.
Era aquele tão sonhado arco-íris que atravessa o rio, que transforma as pessoas, que realiza os sonhos. E todos queriam atravessar aquele arco-íris, mas para isto deveria atravessar o coração dele.
E ela apesar de verde não era absolutamente diferente de todos, também queria atravessar aquela ponte colorida da fortuna. E
la esperou sete anos para conseguir força para tocá-lo e leveza para guiá-lo ao seu lado.. Mas ao vislumbrar aquele moço, notou muito mais do que sete cores que pareciam incontáveis, e ele por sua vez ao ver aquela pequenina menina viu muito mais que um simples verde...Seria até mesmo impossível nomear quantas miragens eles fitaram ao se entreolhar.
Enfim, ficaram juntos, durante festas, durante feriados, durante férias...E neste tempo ela se tornou ainda mais verde e ele mais colorido. Porém as cores já não importavam mais, pois eles descobriram que eram mais que isto, descobriram também que um abraço apertado debaixo de um cobertor bem quentinho não permitia que as cores fossem vistas e por mais que as suas cores pudessem ser vistas, durante aqueles beijos quentes, ambos estavam de olhos fechados.
O primeiro contato foi uma brincadeira. Mas foi a única maneira que encontrei para me aproximar.
Demorei anos, errante, até chegar aos seus lábios e talvez mesmo após tocá-los eu não os tenha sentido de fato, mas já foi o suficiente pra me tocar.
Eu era esta garota verde, ainda sou, entretanto isto já não importa mais...o que importa?

Bú? N