Até que me esgote a voz


terça-feira, 14 de setembro de 2010

Olha só, eu sempre vou embora só.

A menina verde dizia:
- People Always Leave.
Mas ao ouvir isto, as pessoas não entendiam que ela estava falando sobre si.
Ela sempre ia embora e enfim 
ela se foi.
Mas instantes antes de partir  houve uma despedida interminável entre o belo moço arco-íris e a passageira garota verde. Foi um adeus sem fim, um tchau pra sempre.
Ele ligou seu carro preto e foi, deixando-a no portão de casa, ela olhou ele ir junto com a noite. Ele viu ela ficar junto com as lembranças de um passado recente.
O rapaz das cores murmurou baixinho, ao virar a chave de seu carro cada vez mais negro ao longo da despedida cada vez mais íntima:
- Quando você voltar, não venha me avisar....
E ela ao ver aquele carro preto, do rapaz mais colorido de sua vida, atravessar o horizonte pensou um pouco alto:
- Coisas hão de mudar....
Eles há tempo já não podiam se ouvir, mas cada respiração um pouco mais ofegante contava a ele o que ela pensava. E cada arritmia do seu coração mostrava a ela o que ele dizia. Foi uma longa conversa em silêncio.
Foi uma longa despedida entre os dois feita através da solidão.

- Quando você voltar, não venha me avisar. (ele murmurou
- Coisas hão de mudar. (ela pensou alto
- E você não vai estar aqui (ele respirando cada vez mais ofegante.
Ela que era bem verde, ficou um pouco opaca. Já não queria mais pensar sobre partir e se despedir.
Mas ele insistiu em seus dizeres baixos:
- Eu hei de ser feliz, como fui e como sou.
Ela ficou um pouco nervosa, esverdiou outra vez e então contou-lhe mais um segredo:
- Foi o que eu pedi àquela estrela, que você fosse muito feliz.
Sentindo-se envergonhado, ele tentou se justificar dizendo:
- Não dá pra encontrar conforto em outro lugar, que não seja aqui.
Ela enfim não tinha mais o que pensar, sabia que deveria partir mas concordava que ele não deveria nem podeira segui-la.

Enfim ela se foi, ela sempre vai embora.
As mexeriqueiras rosadas da ponta e meio da cidade, abanavam o lenço pink comentando ao pé-do-ouvido:
- Que menina estranha, que menina verde, ela 'periga' nunca se encontra e nem vai perceber.
- Ela exibe a frente um coração que não divide com ninguém.
- Veja só, mais uma vez indo embora só.
- Adeuuuus....

Mais um vez ela se foi, mais uma vez ela irá voltar...mas tudo isto só.

Bú? "Adeus, alguém precisava dizer, e este alguém era eu. Mas com quem coragem, com que coração, de que jeito?"