Até que me esgote a voz


domingo, 1 de abril de 2012

18/03/2012 : Sobre o fim dos Lírios

Saudade não é sólida. Saudade não é ausência. É a presença, é tentar viver no presente.

É a cama ainda desarrumada.

Saudades são todas as coisas que estão lá para nos dizer que não, a pessoa não foi embora. Muito pelo contrário: ela ficou, e de lá não sai.
A ausência ocupa espaço, ocupa tempo, ocupa a cabeça, até demais. E faz com que a gente invente coisas, nos leva para tão próximo da total loucura quanto é permitido, para alguém em cujo prontuário se lê "sadio".

É o transtorno intermitente e perene de implorar por 'um pouco mais'.

Saudade não é olhar pro lado e dizer "se foi". É olhar pro lado e perguntar "cadê?"
Fica o vazio, após o tchau. Fica o fantasma, quando o concreto se vai. Ficam as marcas de poeira ao redor dos quadros e os longos fios substituindo o ar.
Ficamos eu e você, aqui e aí. Um vazio momentâneo, uma saudade permanente, uma dor que vai e vem, alternada com uma apaixonada e obcecada psicose, que só entende quem sente.
Que ar é esse que eu respiro, que não é teu também? Que silêncio é esse, que não é cessado pela tua voz? Que espaço é esse na minha cama, junto com aqueles cobertores emaranhados? Quem sou eu, se não estou com você?

O teu olhar velado
Veio do outro lado
Visitar o meu

Bú? A que aqui escreve sou eu com saudade, e essa diz: ÀS VEZES TEMOS QUE SER MAIS FORTES DO QUE ACREDITAMOS PODER E MAIS NOBRES DO QUE GOSTARÍAMOS.