Até que me esgote a voz


sexta-feira, 17 de maio de 2013

Procrastinar

Tua voz, uma potência. Ouvir teu grito por mudança, teus sonhos por arritmia, é como te ver desperto em minha cama.
Vejo o que te moves, e tu és movido pela transformação; é como se pudesse abrir os olhos - a cada piscadela durante uma conversa política - e te encontrar  no meu quarto, tu estas lá, olhando-me com teus belos e enormes olhos cor do infinito.
Era bonito demais acordando. 

E é bonito demais esse homem que vejo despertar - ainda que diletante - a cada conversa. É uma beleza que não sai do azul. Essa beleza vem de dentro, dessas que os olhos não costumam perceber e com a qual as pessoas não costumam se importar.
Você falava alguma coisa, quando eu massageei teus pés - na minha imaginação. Na minha cabeça foi um contato breve; não podia naquele instante, firmar minha mente e meus olhos sobre teus calos, ásperos, que eu tanto gostei de acariciar. É comum que eu sinta medo de concretizar vontades. Senti receio de tocá-lo, portanto só imaginei.
Senti receio de perder no meu repertório de imagens teus olhos fitando-me; recordei. Mas minha memória, transfigurada, agora gosta de lembrar ao contrário: Eu te olhando enquanto você acorda.

Bú? 
 “o que foi, meu ammm…?!”. Tua cicatriz assassinou o adjetivo antes mesmo de seu fim, mas levou consigo qualquer sentido antes implícito.