Até que me esgote a voz


sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

A diferença de uma hora

Na distância meu corpo padeceu,
ávido por encontrar olhos como os teus, 
tão inacreditavelmente bons ao olhar, 
sanando minh'alma inadvertidamente. 

É incansável me imaginar,
enfim, depois de tanto tempo,
diante de ti: nua, dos pés a mente.
O amor é como o ar girando o catavento. 

Gerando de energia,
Exorcizando toda a tristeza, 
conduzindo toda a alegria. 
Suas mãos são o caminho. 

Meu coração já não é capaz de ir sozinho, 
você encheu de leveza, 
aquele que só sabia o peso de ser vazio. 
E agora, clama no peito que o amor é feito de dois. 

Você que em nome do meu prazer minha vida despiu 
e eu que louca pela tua paz me vi presa 
em uma espera que não aguenta mais ouvir: Depois. 









quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Ao fundo um jornal entrevista franceses

Um muçulmano (do Iêmen) e um rapaz da Letônia conversam:
Muçulmano: Agora serão tempos difíceis para mim aqui. Já estão me olhando com uma cara de ainda mais ódio no metro. Isso é terrível, me tornei uma ameça, por conta de alguém que eu não conheço. Sabe, ninguém odeia os alemães por conta do Hitler; ninguém odeia os americanos porque um doido entrou em uma escola e atirou em todo mundo (e isso acontece com freqüência lá); ninguém acha essas coisas terroristas.
Mas, porque um cara - que ninguém sabe ao certo o nome - atirou em pessoas em Paris, todos os muçulmanos se tornaram um perigo, uma bomba relógio ambulante.
Isso não é justo, isso não é normal.

Bú? Um susto verdadeiro: A realidade

Entre 0 e 1

Eu era um bocadinho,
um tantinho pequeno, quase nada,
como um grão extremamente pequenino,
uma levíssima pitada que mal se sente o cheiro, o sabor, que mal se vê a cor,
um restinho quase invisível, que passava quase desapercebido, que era praticamente inexistente.
Como um ponto minusculo em um universo gigantesco de linhas, letras, acentos, em meio aos livros.

Isso tudo, que era quase nada, era eu;
era a minha alegria, era a minha espera ansiosa,
minha torcida insistente, meu momento único de protagonismo.

E então eu cresci, tornei-me enorme, gigantesca, virei uma gota.
Um gotícula na verdade, um gotinha, um pingo d'água.
Uma sinal de existência,
Uma prova de vida.
Um sentimento.
Uma sensação.
Lágrima.

Tanto medo me inundou a alma, tornando-me maior; pois as alegrias que me habitavam eram tão pequitititas que eu sempre fui minuscula, nunca esperei muito.
Nunca quis a lua, eu só pedia um tantico de glitter que se parecesse com estrelas quando espalhados em uma superfície escura como a noite.
Pés no chão, é assim que eu caminho. Eventualmente eu pulo poças d'água, e quando estou no alto do pulo, finjo que voei, que flutuei; mas eu sei de onde saiu o impulso e eu sei onde chegarei depois na queda.
E é por isso, que me doí tanto deparar com a possibilidade de não encontrar alguém que me forneça glitter, alguém que olhe repreensivamente os meu pulos.
Eu sobrevivo de fugazes fugas de  realidade; nada muito transformador, mas tudo muito intenso.
Eu preciso imaginar que há algo a mais além da curva. Não que eu acredite em um pote de ouro além do arco-iris, mas sim em uma estrela-cadente além do prédio.

O caminho foi longo, todo ele em linha reta. E na minima esperança de chegar em parte curvilínea da rota, deparei-me com a realidade: essa estrada não tem bifurcação. Lágrima, a imensidão da gota.
E assim se foi mais uma alegria misera, assim nasce uma tristeza sem tamanho, uma gotícula que cai do olho, um universo que sai do peito.
Não há escolha, sigo na sequência.
Tentando andar em espirais na linha reta, até encontrar uma curva real; até ver uma estrela-cadente na cidade de pedra.

Bú?



A fotografia


 E o sorriso de Monalisa se mantém...

Não atoa, diante de milhares de câmeras;
 com pessoas diversas
 - de vários lugares do mundo -
observando aquela que nunca deixa de sorrir, aquela que nunca esmorece o olhar.


Bú? Metolhar.

pé no peito, mão na face.

Ela é feita de água,
inconstante,
Uma maré cheia,
que às vezes torna-se maré baixa.

Ela é feita de ar,
Inspiração e expiração.
Um sopro na vela,
a ventania que derrubou uma árvore.

Ela é feita de fogo,
sobrevivente de um incêndio no peito,
morta em uma fogueira de São João,
fênix na vela dos templos.

Ela é feita de terra,
pisoteada,
criadora da flor,
mantenedora do espinho.

Ela é feita de nada,
de natureza vazia,
constantemente buscando preencher-se,
encontrou, enfim, no zero a plenitude.

Bú?
um mar feito de lágrimas
um vento feito de pulmão
uma faísca feita de olhar
uma pedra feita no caminhar.


terça-feira, 18 de março de 2014

Homenagem a minha vó.

Exite alguma coisa profunda e eterna em todos os seres humanos. Alguns se deparam com ela ao longo da sua existência. E então, insistem, persistem naquilo que os transformarão em um brilho eterno, de um corpo que logo terá a eterna cintilância do não se lembrar, do não mais ver, do não mais agir/falar, do não mais viver.
Minha vó, em sua etérea luta por fazer seu brilho resplandecer na Terra, tornou-se professora e transformou a vida de jovens e adultos da pequena cidade que habitava.
Hoje no céu, minha vó brilha incessavelmente na Terra. Ontem na Terra, ela sempre manteve-se como uma centelha celeste.
Agradeço, verdadeiramente, ao prefeito da cidade por reconhecer esse fato e dar o nome da nova escola a minha vó. E agradeço, sempre em orações, por ter tido a avó que tive; uma cidadã, acima de qualquer dúvida, que fez da sua vida um grande ato de existência social através da educação. Fazendo por merecer não só essa grandiosa e significativa homenagem, mas, também, as significativas homenagens cotidianas, que se dão pelas ótimas lembranças que todos da família e da cidade temos - e que por vezes se transbordam do coração e da memória, transformando-se em lágrimas misturadas com sorrisos.

terça-feira, 28 de maio de 2013

uma vela acesa...

E tanto tempo terá passado, depois, tudo se tornará cotidiano
e a minha ausência não terá nenhuma importância.
Serei apenas memória, alivio (...)

Bú? Quando, daqui a pouco tempo, a música que me dedicastes no rádio não tiver mais importância e o carinho que te dediquei na festa não tiver mais palpável.