Até que me esgote a voz


quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

13º andar no Parque Redenção

Do alto do 13º andar há uma bela vista para o Parque Redenção, na rua uma incrível festa que celebra um ciclo de vida realizado e diante de um bar uma bebida mórbida e ainda quente.
Vizinhos, estudante e transeuntes puderam ver voar de um prédio páginas de um livro inacabado, sessões de terapia desmarcadas, um diploma semi-impresso, imagens do Freud e Nietzsche se decompondo no ar.

O ar é áspero, ao respirar de face com o asfalto; o coro de buzinas e sirenes se  torna uma melancólica sinfonia de dúvida, "por quê?"
O Mundo não acabou em 21/12/2013, ele vem liquefazendo desde então; são lágrimas, gotas de sangue e de suor. Há um diluvio caindo de tantos olhos vermelhos.

Vermelho como um beijo ardido e sufocante, que partiu de lábios cujo o hálito sedou sonhos, destruiu a possibilidade de superação de medos e desmoronou a concretização de ideias.
A flor da juventude tem murchado, cotidianamente, independente de lágrimas maternas tentarem reavivar as cores de suas pétalas.

Bú? 

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Até mesmo o sol se põe no paraíso


"Rudá, Rudá,
Iuaká pinaié
Amãna reçaiçu
Iuaká pinaié
Aiuté Cunhã
Puxiuéra oikó
Ne mumamára ce recé
Quahá caarúca pupé"


Por meio desta, agora, você já deve saber, que o meu amor é tão forte, que eu não pude te esquecer. Você deve estar pensado como fazer para se afastar, se eu nunca parar de te amar.
Quando os corpos não nascem para se encontrar, mas uma alma não desiste de amar. Quando uma estrela no céu brilhar e o meu desejo se realizar, eu vou te esquecer. Você vai se lembrar, eu amei você e você não quis me amar. A gente vai se encontrar (de olhos fechados); (eu vou poder te beijar) em um sonho interminável.


Bú?  Sempre que a noite cai
O Sol finge ir dormir
só pra ver a Lua brilhar
(não pode, não dá)
Sempre que o dia acorda
A Lua tenta se aproximar
Só pra ver o Sol nascer
(não pode, não dá)
Procuram sempre uma forma
de se encontrar
A gente vê o eclipse a sorrir
Eles se encontram a chorar
pois já sabem que vão se despedir
Então não venha me dizer
que eu não posso ter você
Que juntos não poderemos mais ficar
De todas as impossibilidades que há
prefiro acreditar
que o Sol não pode ficar com a Lua
do que ter que acreditar
que você não me quer perto do teu olhar
(não pode, não dá)

Chega de 2012


Desci uma montanha debaixo de uma tempestade, muito vento e gotas perfurantes, mais emocionante eram as nuvens carregadas de água e elétrons, temi tomar um belo raio no tampo, mas sobrevivi.

Bú? Senti um calafrio pensando: vitória - O mundo de fato dá voltas, quem um dia te negou hoje pede por um sim teu...quem te viu, quem te vê

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

sábado, 12 de janeiro de 2013

Inverno nas Rochas Badauê

Do passado ao presente caminhamos; na labuta por um futuro, um pouco melhor, do que coisa qualquer, prosseguimos viagem.
Ao contrário de muitos, atravessei rigorosas primaveras para me deparar com um aconchegante inverno; assim como ao invés de lutar para subir montanhas e rochas, eu chorava para descer dos mais altos cumes.
Houve um trépido e escorregadiço rumo até aqui, muitas memórias já esquecidas, momentos eternizados pelo olhar clinico-psiquiátrico e paternal de terceiros que foram perdidos pela minha memória ardilosa e maternal.
Muitos amores me passaram pelos pés, assim como muitos horrores me seguraram pelas mãos; são incontáveis o número de paralelepípedos inescrupulosos e algemas afáveis, mas superei quase todos entre risos e prantos.
E entre tanta liberdade obrigada e prisão consentida, restou-me um lampejo de vida:
Para que servem as asas se não podemos sentir o vento transcender a nossa tez.

Bú? Como pode ser gostar de alguém
E esse tal alguém não ser seu
Fico desejando nós gastando o mar
Pôr-do-sol, postal, mais ninguém

Peço tanto a Deus
Para lhe esquecer
Mas só de pedir me lembro
Minha linda flor
Meu jasmim será
Meus melhores beijos serão seus
Sinto que você é ligado a mim
Sempre que estou indo, volto atrás
Estou entregue a ponto de estar sempre só
Esperando um sim ou nunca mais
Sinto absoluto o dom de existir,
Não há solidão, nem pena
Nessa doação, milagres do amor
Sinto uma extensão divina


segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Compra pronto

Todo telefone quer tocar
Uma janela é tão infeliz fechada
Quanto um carro sempre no mesmo lugar

Um relógio parado não existe

Um som sem som tem uma vida ruim

Como começa o fim de uma história interminável? 
Não sei que titulo pôr, algo como bom ano novo, ou feliz fim de novo do novo... O silêncio não responde e então não há palavras que me permitam ouvir um último som, ver uma última letra solitária escrita.
Penso em e-mails urgentes, mensagens em caixa alta, cartas pelo Sedex, ligar desesperada em tom de morte ou vida recém surgida, bater completamente nua na tua casa, mas no ápice do meu desespero pego um livro e finjo que a história é nossa.
E assim, nossa história se tornou uma paixão de verão, ganhou uma bela justificativa através de Brutus em nome do bem maior e de todos, transformou-se em um romance histórico gaúcho  virou uma aposta perdida pelo apostador, uma meio de ação cênica na vida cotidiana, e ao longos dos dias ganha um olhar quase teológico e sociológico relacionado a história e aos seres humanos na sociedade.
Como começa o fim de uma estória que termina com reticências? Como fazer em uma situação em que nenhuma ação muda ou basta? Penso em me banhar uma cachoeira e fingir que você é a água a derramar, flutuar no mar e de olhos bem abertos me deixar atravessar pelos raios do sol - que finjo ser seus braços, sentar nas pedras e imaginar que você é a onda a bater...e então assim nada faço e se te vejo agir em mim.
E nos momentos que o desespero me toma penso nas palavras certas que te fariam mudar o rumo dos teus pés. E então reescrevi um dicionário em que o significado de todas as palavras é: Volta pra me ver.

Bú? Se eu tiver coragem de dizer que eu meio gosto de você

Você vai fugir a pé?
E se eu falar que você é tudo que eu sempre quis pra ser feliz
Você vai pro lado oposto ao que eu estiver?

 (ãno axiedeu ser ninguém an uas  ida v óS)

Até tu, Brutus? - Então cai, César!

Ah , se um homem pudesse saber o fim dos eventos do dia antes de findar-se o dia!
Mas basta saber que o dia terá um fim e então o fim será conhecido de todos.

Bú?