Até que me esgote a voz


quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

13º andar no Parque Redenção

Do alto do 13º andar há uma bela vista para o Parque Redenção, na rua uma incrível festa que celebra um ciclo de vida realizado e diante de um bar uma bebida mórbida e ainda quente.
Vizinhos, estudante e transeuntes puderam ver voar de um prédio páginas de um livro inacabado, sessões de terapia desmarcadas, um diploma semi-impresso, imagens do Freud e Nietzsche se decompondo no ar.

O ar é áspero, ao respirar de face com o asfalto; o coro de buzinas e sirenes se  torna uma melancólica sinfonia de dúvida, "por quê?"
O Mundo não acabou em 21/12/2013, ele vem liquefazendo desde então; são lágrimas, gotas de sangue e de suor. Há um diluvio caindo de tantos olhos vermelhos.

Vermelho como um beijo ardido e sufocante, que partiu de lábios cujo o hálito sedou sonhos, destruiu a possibilidade de superação de medos e desmoronou a concretização de ideias.
A flor da juventude tem murchado, cotidianamente, independente de lágrimas maternas tentarem reavivar as cores de suas pétalas.

Bú?