Até que me esgote a voz


sábado, 12 de janeiro de 2013

Inverno nas Rochas Badauê

Do passado ao presente caminhamos; na labuta por um futuro, um pouco melhor, do que coisa qualquer, prosseguimos viagem.
Ao contrário de muitos, atravessei rigorosas primaveras para me deparar com um aconchegante inverno; assim como ao invés de lutar para subir montanhas e rochas, eu chorava para descer dos mais altos cumes.
Houve um trépido e escorregadiço rumo até aqui, muitas memórias já esquecidas, momentos eternizados pelo olhar clinico-psiquiátrico e paternal de terceiros que foram perdidos pela minha memória ardilosa e maternal.
Muitos amores me passaram pelos pés, assim como muitos horrores me seguraram pelas mãos; são incontáveis o número de paralelepípedos inescrupulosos e algemas afáveis, mas superei quase todos entre risos e prantos.
E entre tanta liberdade obrigada e prisão consentida, restou-me um lampejo de vida:
Para que servem as asas se não podemos sentir o vento transcender a nossa tez.

Bú? Como pode ser gostar de alguém
E esse tal alguém não ser seu
Fico desejando nós gastando o mar
Pôr-do-sol, postal, mais ninguém

Peço tanto a Deus
Para lhe esquecer
Mas só de pedir me lembro
Minha linda flor
Meu jasmim será
Meus melhores beijos serão seus
Sinto que você é ligado a mim
Sempre que estou indo, volto atrás
Estou entregue a ponto de estar sempre só
Esperando um sim ou nunca mais
Sinto absoluto o dom de existir,
Não há solidão, nem pena
Nessa doação, milagres do amor
Sinto uma extensão divina