Até que me esgote a voz


terça-feira, 27 de novembro de 2012

O passado bateu a minha porta


O encontro não era inesperado, pelo contrário, aguardado com certa ansiedade.
E quando você olha para o lado e nada mais te segura, você pula? 
O que dizer estava muito bem ensaiado, com as devidas palavras e respectivos silêncios. Foi antes que eu pudesse me dar conta que o momento fez-se inconstante, feito instante que nasce pra ser curto e não quer morrer. 
Pensar em pular já é um ato de coragem, alguns nem mesmo perceberiam essa janela. Mas você percebeu e agora pensa, será que eu pulo? Será ? 
Tava ali, um pêndulo oscilando entre passado e futuro, varrendo o presente pra qualquer lugar onde, mais tarde, eu pudesse remoer cheia de remorsos.
Chegar neste momento da escolha já representa um rompimento, afinal você está consciente da questão. Decidir ignorar o desejo do salto também é um ato consciente, logo independente do que você escolha, pular ou não pular, existe o você antes e depois da vontade. As palavras não ditas sempre me atormentam mais que as (mal)ditas.
Portos só servem para descarregar, e o resto é mar (tudo que eu não sei cantar/contar).
Bú? Não é todo rio, que tem um mar pra se encontrar. Mas, dá pra evaporar e encontrá-lo através do ar.

(O passado bateu a minha porta em meio a madrugada e o deixei entrar, agora ele pede uma xícara café pois a conversa vai ser longa, podemos mudar o futuro.)

domingo, 25 de novembro de 2012

21111983


Saiba que apesar do meu jeito torto, perdido e etc. eu torço muito por você. (mas sei também que você não precisa da minha torcida, seu esforço é o seu melhor espectador).
Espero que você tenha vontade e amor o suficiente para nunca pensar em parar, dinheiro e sucesso para nenhuma algema te prender, força e garra pra nunca cansar de tentar. Use o que você tem e persiga o que quer e precisa. Não deixe que o herói de sua alma padeça frustrado pela vida que queria e merecia ter mas nunca teve coragem de ir buscar.
Não deixe que sua chama se apague com a indiferença,
nos pântanos desesperançados do ainda não, do agora não. Enfim, aproveite o seu dia, os seus dias...aproveite a sua vida e saiba que muitos gostariam de tê-la, portanto faça por merecer esse belo coração batendo, essa bela alma lutando!Os negócios humanos apresentam altas como as do mar: aproveitadas, levam-nos as correntes à fortuna; mas, uma vez perdidas, corre a viagem da vida entre baixios e perigos. Ora flutuamos na maré mais alta. Urge, portanto, aproveitar o curso da corrente, ou perder nossas vantagens. (Júlio César - William Shakespeare)Jamais se esqueça: alguns nascem para serem líderes e outros para seguir. Espero que saiba a sua posição, e como lidar em relação a ela!

Bú? No filme que eu nunca vi estamos juntos. (LEIA, ainda é sua música; SILÊNCIO se tornou a minha letra)

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Um prefixo para o futuro

O som era de silêncio. Parecia, pela primeira vez, que ela não ligava para o quanto duraria a espera. Disritmia? Preferiu não palpitar. As ideias todas lá desmoronando e ela buscando a palavra perfeita que lhe trouxesse explicação acertiva.
Não achava palavras em seu vocabulário curto e seu dicionário vazio, esperava que alguém lhe dissesse... o silêncio é que reinava, tentou ligar, começou a escrever, mas enfim que resolveu esperar. Era melhor crer cegamente, do que lutar e descobrir antes do fim do combate que já perdeu a luta - pensou e, então, esperou.

As horas passavam, arranhavam, cuspiam, mas ela não se importava. Os minutos se arrastavam lentamente, zombeteiros; e ela procurava achar graça, para não se deparar com a tristeza. Permanecia imóvel, em  uma quase letargia; parecia que, muitas vezes, tinha era preguiça de existir.
Tão desajeitada, essa menina, vivia feito obra pela metade, tinha um “quê” por se (re)fazer. Talvez por isso não fizesse caso em se desfazer a todo momento. E desmoronava na habitual avalanche de si. Naquele dia foi pra cama com a insônia no cangote. A alma pregada no teto era toda caretas. Entendeu, então, o despautério: era o tempo que ela esperava. E, sem que ela se desse conta, ele passava.
Em delírios de meias noites repletos de luas crescentes via os sorrisos minguarem. Tinha mais de um quarto de hora, uma cama semi-vazia e muito pesar, de tanta vontade que insistia em não passar. Era de dar preguiça tanto lembrar. Em pensar no quanto ainda estava por vir, mas o tempo é sempre relativo demais pra intuir. Só de imaginar dá cansaço esse desenrolar. É sempre assim, os copos se vaziam e os corpos permanecem emoldurados em velhas palavras, escorados em paredes descoradas.

Bú? 
É fácil dizer que quer ouvir. Difícil é conviver com algo que não precisaria estar ali. Que incomoda. Mas que já não significa nada para a outra pessoa. Então por que saber? Já temos dificuldade em lidar com o presente. Sendo assim, para que envolver o passado na história?
Por outro lado, há verdades que precisam ser ditas. Ajudam a traçar o futuro com base no presente. Talvez esteja aí o segredo: o que é atual e continuo deve ser dito:
Aquela verdade que já é conhecida, mas que não é agradável; é preciso saber dela, pois com ela se descobre como agir, o que pensar. É bom tê-la por perto para nos lembrar da realidade.

Alergia e Alegria

Mata-me de prazer e de pavor.
Sua necessidade nasce do doce fel, que faz te querer ansiosamente.
Encontrar-te, deliciar-me de ti faz arder, cresce em mim todo o tipo de não aceitação que cabe ao corpo; gerando na mente um pouco de culpa por enorme prazer.
Mas, prazer é prazer, é a alegria eufórica por enfim existir. E, apesar, de um nada sutil queimar, grito, ao deliciar-me ainda mais com todas restrições, vivamos alegremente!
Recomendam-me sacrifício e renuncia, questiono-me, por que? Quando? Depois de minha morte!
Vivo agora o formidável sonho, alegre . Minha escolha está feita, é preciso comer!
Delicio-me com você, e quando for preciso sofrer por ti, roçarei na dor depois de engolir o júbilo, esfregarei na aflição após abraçar verdadeiramente o deleite.

Bú? CacauCaféAçúcarDoceAmargo


domingo, 18 de novembro de 2012

Cemitério das intenções

Agora quero dizer umas coisas que vocês já sabem. Sabem tão bem quanto eu, mas certamente não costumam pensar muito nelas nem se preocupar com elas frequentemente. Não me importa o que dizem - todo mundo sabe que alguma coisa é eterna. E não são as casas, nem os nomes, nem a terra ou mesmo as estrelas...todo o mundo sabe, dentro de si mesmo, alguma coisa é eterna e que tem relação com os seres humanos. É o que nos afirmam, há cinco mil anos, todos os grandes povos que passaram, e, entretanto, vocês ficariam surpresos se soubessem quanta gente se esquece disse. Exite alguma coisa profunda e eterna em todos os seres humanos. 
Vocês sabem muito bem que os mortos não permanecem interessados em nós, os vivos, por muito tempo... Pouco a pouco, eles se desligam da terra... das ambições que tiveram... dos prazeres que tiveram... das coisas que sofreram... e das pessoas que amaram. Eles vão se soltando da terra - é justamente isso - vão se soltando. Sim, eles permanecem aqui enquanto sua parte terrena arde e se apaga, e em todo o tempo vão-se tornando indiferentes ao que acontece em suas pequenas cidades. Estão esperando. Estão esperando por qualquer coisa que sabem que virá. Alguma coisa grandiosa e importante. Não estarão eles esperando que essa parte eterna que neles existe se revele? Alguma das coisas que vão dizer talvez deixem chocados - mas é assim que isto é, mãe e filha... marido e mulher... amigo e inimigo... dinheiro e miséria... todos esses sentimentos tremendamente importantes vão se empalidecendo aqui.
O que é que fica quando a memória se vai?

Bú? Pode alguma criatura humana compreender a vida, enquanto ela viver? - minuto por minuto?


Thornton Wilder - Nossa Cidade

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Como justa é a lei

Um dia sem muitos porquês se deparou com a gaveta de correspondências, há tempos não a abria, há tempos não recebiam mais cartas, a modernidade a modernidade apagara-lhes o brilho. Quis recordar um pouco do que lhes traziam aqueles papeis que cheiravam a saudade. Olhava com ternura as cartas que seu amado escrevera-lhe quando jovens, ela as havia guardado para não esquecer de como eram. Envergonhou-se por ter esquecido, por tê-las esquecido por tanto tempo trancadas naquela gaveta, separou-as e para lê-las mais tarde, o tempo passava, não podia perder a hora.
Recolheu as cartas e levou-as consigo para o quarto, deixando uma delas cair no corredor. 
Ao ler o passado, viu o presente, e só assim conseguiu vislumbrar um futuro real. Era necessário uma fuga, sem explicação. 
Deixou tudo para trás, menos as cartas. Foi embora sem nada dizer.
Naquela noite, vendo que ela tinha saído e tudo estava no devido lugar achou que ela tinha ido para a casa de uma amiga; de madrugada quando ela não voltou, pensou que ela havia resolvido dormir lá.
Nos outros dias quando a falta já estava latente e a não explicação lhe destruía o ego; o orgulho não permitia que ele a procurasse.
Um dia,  quase que sem querer, se encontraram em uma livraria.
Um livro os uniu: Ridículas cartas de amor, ridículo não amar  por cartas.
Ela havia publicado um livro, o enredo se baseava nas cartas de amor que ele escreveu.
O livro os uniu, o prefácio os separou.
O prefácio, julgava ele, era a carta/bilhete de amor e despedida que ela nunca escreveu:

Outro dia se encontram numa esquina qualquer e o sorriso que trocaram dessa vez foi pra mostrar que apesar do fim, o mundo continuou girando. E entenderam que bons livros precisam de páginas, páginas bem escritas.hospedagem de site grátis


Bú? Ele amava a sua erudição, mas queria mais que boas metáforas para uma simples fuga sem explicação

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Fria


Duas estrelas no mar,
uma parte do céu
que eu deixei desmorar.
Duas estrelas no fundo mar,
sonhos de uma noite
que nunca irão
se realizar.

Nada,
nenhum amor que tirasse de mim o ar
Nada,
nenhum sonho que pudesse realizar

E eu que te deixei cair,
eu que nem tentei te segurar
e eu que nunca fiz algo pra impedir...
Choro toda noite,
tentando te encontrar
meu no mar...
de lágrimas.
No meu céu
sem estrelas.



Bú? Feito pra não durar.
(O menino viu no céu um estrela, e será só uma estrela. Um vagalume comum, brilhando muito longe; uma sujeira universal que morreu a muito tempo.
Como cientista, assim, a estrela não trouxe pra ele verdade, vida, sentido, significado e nem arte; trouxe um pouco mais de poeira cósmica para os leigos olhares.)