Não achava palavras em seu vocabulário curto e seu dicionário vazio, esperava que alguém lhe dissesse... o silêncio é que reinava, tentou ligar, começou a escrever, mas enfim que resolveu esperar. Era melhor crer cegamente, do que lutar e descobrir antes do fim do combate que já perdeu a luta - pensou e, então, esperou.
As horas passavam, arranhavam, cuspiam, mas ela não se importava. Os minutos se arrastavam lentamente, zombeteiros; e ela procurava achar graça, para não se deparar com a tristeza. Permanecia imóvel, em uma quase letargia; parecia que, muitas vezes, tinha era preguiça de existir.
Tão desajeitada, essa menina, vivia feito obra pela metade, tinha um “quê” por se (re)fazer. Talvez por isso não fizesse caso em se desfazer a todo momento. E desmoronava na habitual avalanche de si. Naquele dia foi pra cama com a insônia no cangote. A alma pregada no teto era toda caretas. Entendeu, então, o despautério: era o tempo que ela esperava. E, sem que ela se desse conta, ele passava.
Em delírios de meias noites repletos de luas crescentes via os sorrisos minguarem. Tinha mais de um quarto de hora, uma cama semi-vazia e muito pesar, de tanta vontade que insistia em não passar. Era de dar preguiça tanto lembrar. Em pensar no quanto ainda estava por vir, mas o tempo é sempre relativo demais pra intuir. Só de imaginar dá cansaço esse desenrolar. É sempre assim, os copos se vaziam e os corpos permanecem emoldurados em velhas palavras, escorados em paredes descoradas.
Bú? É fácil dizer que quer ouvir. Difícil é conviver com algo que não precisaria estar ali. Que incomoda. Mas que já não significa nada para a outra pessoa. Então por que saber? Já temos dificuldade em lidar com o presente. Sendo assim, para que envolver o passado na história?
Bú? É fácil dizer que quer ouvir. Difícil é conviver com algo que não precisaria estar ali. Que incomoda. Mas que já não significa nada para a outra pessoa. Então por que saber? Já temos dificuldade em lidar com o presente. Sendo assim, para que envolver o passado na história?
Por outro lado, há verdades que precisam ser ditas. Ajudam a traçar o futuro com base no presente. Talvez esteja aí o segredo: o que é atual e continuo deve ser dito:
Aquela verdade que já é conhecida, mas que não é agradável; é preciso saber dela, pois com ela se descobre como agir, o que pensar. É bom tê-la por perto para nos lembrar da realidade.