Até que me esgote a voz


sábado, 2 de fevereiro de 2013

TentAções

E como um doce e sagaz garoto que vê o desabrochar de uma rosa pelo buraco da fechadura, ele a viu crescer. As, então, corridas com a cadeira de rodas da bisavó, tornaram-se caminhadas pela rua augusta em busca de uma diversão para dois maliciosos anjos. 
O que antes era apenas um sessão infantil e romântica de "Pateta e seus amigos", entre dois distantes familiares e próximos amigos que brincam de viver uma paixão secreta e proibida; transformou-se em um encontro noturno de pagãos, que usam como desculpa um réquiem para viverem sonhos de anjos pornográficos.
Há trocas de presentes natalinos, almoços feitos por quatro mãos, mensagens insinuosas sobre noites mal dormidas, caricias os fazem temer e tremer a noite.
Na noite dos que nunca bocejam, os olhos se encontram semi-cerrados, os lábios tocam a tez já úmida e fria. A mão que quase encontra os símbolos, em busca signos corpóreos de tentar, de agir.
Tentaram ações, mas as tentações do corpo buscam sucumbir satisfazendo-se com astucioso progredir da imaginação.

Bú? E de tantas tentações, depois de tantas ações, depois de tentarem algumas não-ações; contentaram-se com o que tinham nas mãos, com o que podiam fazer com os pés, aspiraram o que havia no quarto e não no corpo, realizaram aquilo que o dinheiro poderia pagar sem a moral questionar.