- Queria ser como a senhora. Responsabilizando-me por mais um erro, pois sei que para esse haverá penitencias que me livrem do pecado, ouso dizer que invejo a senhora. Quem me dera ser como és.
Sem entender, a senhora indaga:
- Por quê?
Apesar de toda a dor, a jovem permite que a resposta saia:
- Porque já não consigo dormir.
A senhora, que agora compreende melhor, assume:
- Talvez, ambas, não tenhamos tido boas noites; talvez, não estejamos dormindo muito bem. Na busca pelo pecado nos distanciamos de Deus, e é claro que isso tem preço, o valor está além da descoberta do pecado.
Silenciosamente, a jovem diz entre lábios apertados:
- ...Compreendo...
Descendo do seu pedestal de ar, entre lágrimas soluçantes a senhora confessa, como se um padre feito de vento e garoa pudesse absolvê-la da culpa:
- Tenho dúvida. Tenho dúvidas tão grandes, que se alimentam do meu sono com pontos de interrogações intermináveis para além da madrugada.
Bú? Tantos laços, tantas amarras; os controles, pretensões.
nada adianta se o vento não soprar.
nada adianta se o vento não soprar.