Durmo pouco, as noites costumam ser enormes; olho para cima, atravessando meu teto vejo o céu. Em uma noite luminosa, as estrelas escrevem; sem entender, normalmente, apenas compreendo. Também sou essa escritura, sou esse poema, que nesse exato momento alguém - me - soletra.
Um texto composto por urgências: alegrias complementares, tristezas absolutas. Cheia de ausências - delineado por espaços e reticências, sou composta por excessos. Eu não caibo no estreito, vivo, só, entre extremos - no maniqueísmo da ortografia transformada e transformadora; caminho, desequilibrada, em cima de uma linha tênue entre o sagrado e o profano. O que tenho de mais obscuro, é o que me ilumina. É a minha lucidez que é perigosa. Diria que sou irremediável, dentro do fato da escrita irreversível, encontro-me hermeticamente fechada.
Bú? No meio do nó(s)