Até que me esgote a voz


quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Uma Nova Resende

Há por baixo da superfície rachaduras, ressentimentos, alianças que ameaçam a base de nossas vidas, como se a qualquer momento nosso mundo pudesse desabar; a morte é só a morte, e ninguém a entende.
Por isso, por não entender, queria poder dizer eles não partiram naquele dia, que como seres encantados tiveram as suas vidas físicas perpetuadas nas minhas férias; que subitamente eles apareceram na minha noite de natal, assim como eu havia pedido ao Papai Noel; que não choro toda noite pensando nas grandes pessoas que parei de compartilhar a presença; queria poder dizer que soubemos lidar com a morte e que essa cidade continua sendo meu sonho de verão...mas infelizmente a verdade é oposta, só há uma Nova Resende, e eu não pertenço mais a ela e nem eles.
Infelizmente eles partiram, e não há fé, não a força ou desejo que os façam voltar; atravessaram o espelho azul que há em cima de nossas cabeças, levando consigo as belas memórias e os bons frutos, e foram partilhar o amor que conquistaram com as belas estrelas que brilham no céu aberto. Escandalizadas com a constatação de que o amor existe na Terra, algumas estrelas saltaram do céu caindo no mar; as estrelas-do-mar agora sabem com clareza de um fato que o amor existe mas insistem em não acreditar nele.
Eu sei que Papai Noel não existe, que lágrimas só aumentam a dor, que saber lidar facilita a situação. E é por tudo isso que gosto de pensar que eles se foram naquele dia, e que viraram um pedaço de céu azul.
Gosto de pensar que gotas de chuva, são a forma que eles encontraram de contato comigo tanto para broncas quanto para carícias; acalma-me imaginar que eles me apoiam, fortalecem-me, guiam-me através dos raios de sol que incidem a minha janela e minh'alma; acalenta-me supor que a prova da oração diária deles está na lua, que brilha nas noites sombrias de tristeza e solidão.

Bú? A memória e a morte têm misteriosos jeitos de habitar a vida. De repente, a morte. A saudade. A lembrança dolorosa, levantada com o cheiro da chuva. Com a melodia que uma voz costumava cantarolar. De tudo, fica a vontade de lembrar e o medo de esquecer. Um rastro da morte ecoando na vida. Fica a vontade de esquecer a morte, de vencê-la irremediavelmente.


quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Ser bem-sucedido: eis a teoria

A admiração contemporânea é uma simples miopia
Vivemos em uma sociedade sombria. O sucesso, sósia do talento infelizmente tem, ao menos, um ingenuo que nele crê  facilmente: a história.
Mas nele há algo de odioso, que não se aprende nas aulas nem nos livros: o sucesso conta com uma armadilha, ele se assemelha com o merecimento, é isso que engana os homens.

Bú? Ter êxito, eis o ensinamento destilado em gotas a gota pela corrupção que avança

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Antigüidade é posto temos que respeitar


...Dona Canô chamou, eu vou...
O chamado de Dona Canô eu não posso negar!


Bú? Há no céu um brilho novo daquela que fez gerar arte na Terra, há na Terra algumas lágrimas por aquela que fez gerar melodia no nosso cotidiano. Na no Universo uma fé que ainda nos faz crer na beleza do som, na prosperidade da voz, na transcendência das letras; Dona Canô atravessou um rio cheio, feito de lágrimas pela sua partida.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

arquitetura, que é ao mesmo tempo obra de arte e lugar para se viver e trabalhar.

Ninguém pode homenagear melhor o artista do que sua própria arte.
Nada que eu escreva terá uma grandeza tão significativa e transformadora, quanto os esboços que ele fez.
05/12/2012
Baudelaire disse que a surpresa, o espanto são as características básicas de uma obra de arte. É o que penso. Camus diz em O Estrangeiro que a razão é inimiga da imaginação. Às vezes, você tem de botar a razão de lado e fazer uma coisa bonita.
Oscar Niemeyer

A luz deu a escuridão

Parto, parto-me.
Temo o tempo, que ele se prolongue na espera por um acontecimento que se esqueceu/reverteu. Temo que o tempo tenha virado biologia sincronizada com a minha falta de cronologia. Temo que a vida tenha desfeito o sangue em água.
Meu corpo é como um aquário sem água, e essa água que tenta despejar sobre mim tem que ser como um liquido sem margem para se acomodar. Evapora e vire ar, que me inspire dúvidas mas que jamais seja uma certeza que me pese os ombros, que da qual eu sou o algoz.
Não caia gota risonha da infertilidade, seque terreno choroso da fertilidade.

Bú? O que fez a mocinha, estragou todos os planos. Foi assim, foi o fim. Foi então, que quebrou o que tinha, Lua cheia sobre os campos avisando que era o fim.  (Murmurando vem, entre nós)

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Vamos falar de solidão

A quem diga que eu não nasci pra ser amada,
a quem diga que eu hei de viver só.
E por mais que eu tente fazer o laço,
Ainda que eu tente atar o nó,
Eu estou completamente só.

Mas eu tentei juntar
Eu quis me unir,
mas a cada passo perto de ti
eram dois longe de mim.
E então eu tive que seguir
outro caminho sem você,
e agora eu tenho que escutar
que só a solidão
pode me acompanhar.

Bú? Eu rezo para esquecer, eu peço para esquecer...

domingo, 9 de dezembro de 2012

RALF

"Os cães são o nosso elo com o Paraíso. Eles não conhecem a maldade, a inveja ou o descontentamento. Sentar-se com um cão ao pé de uma pequenina árvore numa linda tarde, é voltar ao Éden onde ficar sem fazer nada não era tédio, era paz."

"Cães não precisam de carros luxuosos, casas grandes ou de roupas chiques.
Água e alimentos já são o bastante. Um cachorro não liga se você é rico ou pobre. 
Esperto ou não. Inteligente ou não.
 Dê o seu coração e ele dará o dele. De quantas pessoas podemos dizer o mesmo? 
Na realidade um cachorro não merece ser chamado de 'cão' muito pelo contrário, ele é um anjo em nossas vidas."




Bú? E da casa, enfim, só resta a casa; foram-se os anfitriões e agora se vai o guardião fiel e atrapalhado.
Até que a morte os separe, contemplou até mesmo o Ralf que morreu no dia do casamento dos meus avos.

sábado, 8 de dezembro de 2012

Uma história escrita a dois

Era uma vez um garoto e uma garota nessa história ele é rico e mimado, pode desejar ter tudo e tem tudo que deseja; ela é pobre e e mal tem o necessário.
Ele podendo tudo dominar, almejava possuir o céu; ela tendo pouco e sem poder para sonhos na hora de dormir, enamorava um estrela que brilhava no céu aberto.
Ele achava que o céu todo era pouco, e conquistá-lo não exigiria trabalho árduo; ela achava que a estrela era inalcançável, porque brilhava longe e, que poder contemplar aquele astro, através da sua janela beira mar, no céu já era um presente concreto. Com o tempo ele descobriu que nem mesmo muito trabalho era o bastante para ele chegar ao céus, imagina conquistá-lo, dominá-lo; contratou então muitos profissionais para ajudá-lo e desenvolveram uma pequenina máquina que o permitia voar.
A máquina era feita de balões coloridos de festa presos a sua bicicleta, sem muitas experimentações e com a engenhoca incompleta decidiu voar, era madrugada. Ao mesmo tempo que ele começou a pedalar para ganhar altura, a menina via sua adorada mudar de direção e resolveu segui-la.
Enquanto o menino ficava mais alto a estrela parecia ficar mais baixa, e o céu emocionado com a possibilidade de ser dominado e de perder sua pequena-grande brilhante chorou, lágrimas salgadas que se convertiam em uma chuva pasmada, que a partir da suspensão caia assustada!
A chuva fez a estrela cair mais rápido, e o menino perder altura; rapidamente estavam os dois no mar, a estrela e o garoto.
A menina correu da praia até chegar além da rebentação, encontrou, então, um menino brilhante e uma estrela um pouco mais opaca mas ainda muito especial. Tinha que escolher, ou possuiria um sonho material  - que a muito tempo desejava - ou salvava uma realidade atual.
Escolheu por salvar o menino - mas deixando para trás a engenhoca, hoje caminha com ele pela praia, ajudando-o a voltar pra casa!
Ela sabe que escolhendo por ele abdicou de seus desejos de outrora, mas isso não significa que ela pode partir deixando seguir sua jornada só para ir atrás de um novo sonho, como, por exemplo, uma máquina pouco eficaz que a leve para os céus em busca de uma nova bela estrela cadente!


Bú? Uma contação de história regada a miXirica

Queda Livre

Quando nos conhecemos a cidade se derretia sob nós, enquanto nos refrescávamos com um suco peculiar e  uma amizade hipócrita. Deveríamos saber que nada se consolida em um chão que se desfaz...
É engraçado como descobrimos as coisas, é complicado como negligenciamos fatos a nós mesmo.
De olhos abertos deveríamos ver, mas é de olhos bem abertos que fingimos não notar as verdade latentes que transpassam nossa realidade.
Nós não somos infelizes, o que não significa que manteremos em nós durante muito tempo essa quase felicidade que nos basta agora. Uma quase alegria que se satisfaz com passos atrapalhados e uma dança patética na sua casa, uma semana - de trabalho - gasta na relva com flores sob um luar só para nós, a primeira vergonha dos pés, todos os filmes que não terminamos de ver e os que nem começamos.
E então em uma manhã você me vê escovando os dentes e andando pela casa, imediatamente deveria saber, pela grandiosa certeza que surge pelas pequenas descobertas, que é completamente feliz.
Mas o fato d'eu te querer e você me desejar também, mesmo com tempo e espaço disponíveis para investigarmos essa vontade, não basta para fazermos disso o melhor que pudermos. Já estamos sob céus nublados e a tempestade já chegou após longas ventanias; queria poder me fazer crer, agora, que se tivermos cuidado e (a)ventura - principalmente ventura - seguiremos uma estrada onde eu possa segurar a sua mão.
Posso fingir que não sei se há de dar certo, mas a verdade é que minhas pupilas já foram dilatadas pelo lampião do fato. Daqui a um tempo a gente se encontra em uma mesa de bar, eu mexerei o suco com o canudo enquanto você quebra alguns palitos sobre o prato, pequenas atividades que nos dedicaremos com inútil afinco, adiando o momento de dizer o que deve ser dito.
Não é fácil, tão pouco impossível, mas se existe essa esperança intensa que chamamos de paixão, então não  há nada mais sensato a fazer do que soltarmos as mãos do trapézio talvez a gente caia no chão, talvez a gente saia voando. O verdadeiro encontro só se dá ao tirarmos os pés do chão, porque a vida não tem o menor sentido se não dermos um salto.

Bú?  Entre o beijo de cinco minutos atrás e a compreensão do fim, pode caber uma vida inteira.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

O passado bateu a minha porta


O encontro não era inesperado, pelo contrário, aguardado com certa ansiedade.
E quando você olha para o lado e nada mais te segura, você pula? 
O que dizer estava muito bem ensaiado, com as devidas palavras e respectivos silêncios. Foi antes que eu pudesse me dar conta que o momento fez-se inconstante, feito instante que nasce pra ser curto e não quer morrer. 
Pensar em pular já é um ato de coragem, alguns nem mesmo perceberiam essa janela. Mas você percebeu e agora pensa, será que eu pulo? Será ? 
Tava ali, um pêndulo oscilando entre passado e futuro, varrendo o presente pra qualquer lugar onde, mais tarde, eu pudesse remoer cheia de remorsos.
Chegar neste momento da escolha já representa um rompimento, afinal você está consciente da questão. Decidir ignorar o desejo do salto também é um ato consciente, logo independente do que você escolha, pular ou não pular, existe o você antes e depois da vontade. As palavras não ditas sempre me atormentam mais que as (mal)ditas.
Portos só servem para descarregar, e o resto é mar (tudo que eu não sei cantar/contar).
Bú? Não é todo rio, que tem um mar pra se encontrar. Mas, dá pra evaporar e encontrá-lo através do ar.

(O passado bateu a minha porta em meio a madrugada e o deixei entrar, agora ele pede uma xícara café pois a conversa vai ser longa, podemos mudar o futuro.)

domingo, 25 de novembro de 2012

21111983


Saiba que apesar do meu jeito torto, perdido e etc. eu torço muito por você. (mas sei também que você não precisa da minha torcida, seu esforço é o seu melhor espectador).
Espero que você tenha vontade e amor o suficiente para nunca pensar em parar, dinheiro e sucesso para nenhuma algema te prender, força e garra pra nunca cansar de tentar. Use o que você tem e persiga o que quer e precisa. Não deixe que o herói de sua alma padeça frustrado pela vida que queria e merecia ter mas nunca teve coragem de ir buscar.
Não deixe que sua chama se apague com a indiferença,
nos pântanos desesperançados do ainda não, do agora não. Enfim, aproveite o seu dia, os seus dias...aproveite a sua vida e saiba que muitos gostariam de tê-la, portanto faça por merecer esse belo coração batendo, essa bela alma lutando!Os negócios humanos apresentam altas como as do mar: aproveitadas, levam-nos as correntes à fortuna; mas, uma vez perdidas, corre a viagem da vida entre baixios e perigos. Ora flutuamos na maré mais alta. Urge, portanto, aproveitar o curso da corrente, ou perder nossas vantagens. (Júlio César - William Shakespeare)Jamais se esqueça: alguns nascem para serem líderes e outros para seguir. Espero que saiba a sua posição, e como lidar em relação a ela!

Bú? No filme que eu nunca vi estamos juntos. (LEIA, ainda é sua música; SILÊNCIO se tornou a minha letra)

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Um prefixo para o futuro

O som era de silêncio. Parecia, pela primeira vez, que ela não ligava para o quanto duraria a espera. Disritmia? Preferiu não palpitar. As ideias todas lá desmoronando e ela buscando a palavra perfeita que lhe trouxesse explicação acertiva.
Não achava palavras em seu vocabulário curto e seu dicionário vazio, esperava que alguém lhe dissesse... o silêncio é que reinava, tentou ligar, começou a escrever, mas enfim que resolveu esperar. Era melhor crer cegamente, do que lutar e descobrir antes do fim do combate que já perdeu a luta - pensou e, então, esperou.

As horas passavam, arranhavam, cuspiam, mas ela não se importava. Os minutos se arrastavam lentamente, zombeteiros; e ela procurava achar graça, para não se deparar com a tristeza. Permanecia imóvel, em  uma quase letargia; parecia que, muitas vezes, tinha era preguiça de existir.
Tão desajeitada, essa menina, vivia feito obra pela metade, tinha um “quê” por se (re)fazer. Talvez por isso não fizesse caso em se desfazer a todo momento. E desmoronava na habitual avalanche de si. Naquele dia foi pra cama com a insônia no cangote. A alma pregada no teto era toda caretas. Entendeu, então, o despautério: era o tempo que ela esperava. E, sem que ela se desse conta, ele passava.
Em delírios de meias noites repletos de luas crescentes via os sorrisos minguarem. Tinha mais de um quarto de hora, uma cama semi-vazia e muito pesar, de tanta vontade que insistia em não passar. Era de dar preguiça tanto lembrar. Em pensar no quanto ainda estava por vir, mas o tempo é sempre relativo demais pra intuir. Só de imaginar dá cansaço esse desenrolar. É sempre assim, os copos se vaziam e os corpos permanecem emoldurados em velhas palavras, escorados em paredes descoradas.

Bú? 
É fácil dizer que quer ouvir. Difícil é conviver com algo que não precisaria estar ali. Que incomoda. Mas que já não significa nada para a outra pessoa. Então por que saber? Já temos dificuldade em lidar com o presente. Sendo assim, para que envolver o passado na história?
Por outro lado, há verdades que precisam ser ditas. Ajudam a traçar o futuro com base no presente. Talvez esteja aí o segredo: o que é atual e continuo deve ser dito:
Aquela verdade que já é conhecida, mas que não é agradável; é preciso saber dela, pois com ela se descobre como agir, o que pensar. É bom tê-la por perto para nos lembrar da realidade.

Alergia e Alegria

Mata-me de prazer e de pavor.
Sua necessidade nasce do doce fel, que faz te querer ansiosamente.
Encontrar-te, deliciar-me de ti faz arder, cresce em mim todo o tipo de não aceitação que cabe ao corpo; gerando na mente um pouco de culpa por enorme prazer.
Mas, prazer é prazer, é a alegria eufórica por enfim existir. E, apesar, de um nada sutil queimar, grito, ao deliciar-me ainda mais com todas restrições, vivamos alegremente!
Recomendam-me sacrifício e renuncia, questiono-me, por que? Quando? Depois de minha morte!
Vivo agora o formidável sonho, alegre . Minha escolha está feita, é preciso comer!
Delicio-me com você, e quando for preciso sofrer por ti, roçarei na dor depois de engolir o júbilo, esfregarei na aflição após abraçar verdadeiramente o deleite.

Bú? CacauCaféAçúcarDoceAmargo


domingo, 18 de novembro de 2012

Cemitério das intenções

Agora quero dizer umas coisas que vocês já sabem. Sabem tão bem quanto eu, mas certamente não costumam pensar muito nelas nem se preocupar com elas frequentemente. Não me importa o que dizem - todo mundo sabe que alguma coisa é eterna. E não são as casas, nem os nomes, nem a terra ou mesmo as estrelas...todo o mundo sabe, dentro de si mesmo, alguma coisa é eterna e que tem relação com os seres humanos. É o que nos afirmam, há cinco mil anos, todos os grandes povos que passaram, e, entretanto, vocês ficariam surpresos se soubessem quanta gente se esquece disse. Exite alguma coisa profunda e eterna em todos os seres humanos. 
Vocês sabem muito bem que os mortos não permanecem interessados em nós, os vivos, por muito tempo... Pouco a pouco, eles se desligam da terra... das ambições que tiveram... dos prazeres que tiveram... das coisas que sofreram... e das pessoas que amaram. Eles vão se soltando da terra - é justamente isso - vão se soltando. Sim, eles permanecem aqui enquanto sua parte terrena arde e se apaga, e em todo o tempo vão-se tornando indiferentes ao que acontece em suas pequenas cidades. Estão esperando. Estão esperando por qualquer coisa que sabem que virá. Alguma coisa grandiosa e importante. Não estarão eles esperando que essa parte eterna que neles existe se revele? Alguma das coisas que vão dizer talvez deixem chocados - mas é assim que isto é, mãe e filha... marido e mulher... amigo e inimigo... dinheiro e miséria... todos esses sentimentos tremendamente importantes vão se empalidecendo aqui.
O que é que fica quando a memória se vai?

Bú? Pode alguma criatura humana compreender a vida, enquanto ela viver? - minuto por minuto?


Thornton Wilder - Nossa Cidade

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Como justa é a lei

Um dia sem muitos porquês se deparou com a gaveta de correspondências, há tempos não a abria, há tempos não recebiam mais cartas, a modernidade a modernidade apagara-lhes o brilho. Quis recordar um pouco do que lhes traziam aqueles papeis que cheiravam a saudade. Olhava com ternura as cartas que seu amado escrevera-lhe quando jovens, ela as havia guardado para não esquecer de como eram. Envergonhou-se por ter esquecido, por tê-las esquecido por tanto tempo trancadas naquela gaveta, separou-as e para lê-las mais tarde, o tempo passava, não podia perder a hora.
Recolheu as cartas e levou-as consigo para o quarto, deixando uma delas cair no corredor. 
Ao ler o passado, viu o presente, e só assim conseguiu vislumbrar um futuro real. Era necessário uma fuga, sem explicação. 
Deixou tudo para trás, menos as cartas. Foi embora sem nada dizer.
Naquela noite, vendo que ela tinha saído e tudo estava no devido lugar achou que ela tinha ido para a casa de uma amiga; de madrugada quando ela não voltou, pensou que ela havia resolvido dormir lá.
Nos outros dias quando a falta já estava latente e a não explicação lhe destruía o ego; o orgulho não permitia que ele a procurasse.
Um dia,  quase que sem querer, se encontraram em uma livraria.
Um livro os uniu: Ridículas cartas de amor, ridículo não amar  por cartas.
Ela havia publicado um livro, o enredo se baseava nas cartas de amor que ele escreveu.
O livro os uniu, o prefácio os separou.
O prefácio, julgava ele, era a carta/bilhete de amor e despedida que ela nunca escreveu:

Outro dia se encontram numa esquina qualquer e o sorriso que trocaram dessa vez foi pra mostrar que apesar do fim, o mundo continuou girando. E entenderam que bons livros precisam de páginas, páginas bem escritas.hospedagem de site grátis


Bú? Ele amava a sua erudição, mas queria mais que boas metáforas para uma simples fuga sem explicação

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Fria


Duas estrelas no mar,
uma parte do céu
que eu deixei desmorar.
Duas estrelas no fundo mar,
sonhos de uma noite
que nunca irão
se realizar.

Nada,
nenhum amor que tirasse de mim o ar
Nada,
nenhum sonho que pudesse realizar

E eu que te deixei cair,
eu que nem tentei te segurar
e eu que nunca fiz algo pra impedir...
Choro toda noite,
tentando te encontrar
meu no mar...
de lágrimas.
No meu céu
sem estrelas.



Bú? Feito pra não durar.
(O menino viu no céu um estrela, e será só uma estrela. Um vagalume comum, brilhando muito longe; uma sujeira universal que morreu a muito tempo.
Como cientista, assim, a estrela não trouxe pra ele verdade, vida, sentido, significado e nem arte; trouxe um pouco mais de poeira cósmica para os leigos olhares.)

The Doubt




Não houve vigília temerosa na luta contra pesadelos alheios, não existiu divisão de sonhos, nem compartilhamento de sonambulismo febril em paixão. 
Se em algum suposto momento houve mãos dadas em alguma caminhada ou oferecimento de um abraço, foram só partes isoladas do corpo que em algum momento - por estarem perdidas do seu total - encontraram-se.  Se caso as mãos, por um acaso, se encontraram, foi de fato um mero acaso; não foi como o primeiro e decisivo toque de Romeu em Julieta;  se caso tenhamos nos abraçado, foram troncos que se encontraram, como encontram tantos outros; não foi como o abraço de partida de Romeu e Julieta, foi como um esbarrar sem querer mais impossível de evitar.

Nenhum acordo foi selado através de saliva, não houve um entrelaçamento de sentimentos por intermédio da língua, não existiu carinho e nem paixão pulsando nos lábios, não foi uma troca de pecados - como a que narra Shakespeare, nem uma tentativa de confissão sobre sentimentos. O amor grita, sussurra, implora, é sem precisar de adições ou subtrações; coisa que o sexo jamais poderia se quer tentar ser.Na traição não existem dúvidas, porque há sentimentos e dentro dos sentimentos reais não cabem hipóteses, só os fatos.O que o corpo diz e faz é ação animal; mas o que a alma grita é sentimento que está além da flor da pele , é a angelical forma do humano ser. De um lado há alguém que é, do outro lado há alguém que passou.
O amor não se sustenta na mão apertada, no abraço longo, no beijo de intimidade devastadora, no sexo de elevação de almas. O amor se sustenta na respiração que para, no olhar bobo, na paz de espírito. De um lado da história nunca houve nem um, nem outro; do outro, pelo que parece, existiu os dois, mutuamente.O amor não tem o peso de uma lágrima, sequer. Ao morrermos perdemos 21gramas, mas a morte é muito mais árdua de se carregar  do que isso. 
Bú? 
 Culpa, basta-me a culpa que ofereço a mim mesma - que muito maior do que qualquer pessoa possa me oferecer.E por mais que um lado diga coisas de forma que pareçam menos abstratas, não vai mudar dúvida que há do outro lado. Afinal de que lado estamos falando? A esquerda diz que nessa situação é uma mosca, a direita pode refutar ou afirmar? não, pois por serem, supostamente, opostos não se conhecem.

Miserável descoberta

Pondes vossa esperança justamente no que não vai acontecer

O homem tem sobre si a carne, que é ao mesmo tempo fardo e tentação. Ele a carrega e a ela se submete. 
Deve vigiá-la, contê-la, reprimi-la e não ceder senão em último caso. Nesses casos, se houver pecado, será venial. As pequenas faltas são quedas sob os joelhos: podem transformar-se em oração.
Ser santo é exceção; ser justo é regra. Errem, desfaleçam, pequem, mas sejam justos. Pecar o menos possível é a lei dos homens. Não pecar nunca é sonho de anjos. Tudo o que é da terra está sujeito ao pecado. O pecado é uma gravitação.

Bú? VICTOR HUGO -( Uma vida curta, para um fim de semana tão longo. Tem horas que as coisas pesam mais do que pensamos ser capaz de aguentar; nessa hora devemos ficar firme pois dias melhores hão de chegar.

Miserável necessidade

Enquanto, por efeito de leis e costumes, houver proscrição social, forçando a existência, em plena civilização, de verdadeiros infernos  e desvirtuando, por humana fatalidade, um destino por natureza divino; enquanto os três problemas do século - a degradação do homem pelo proletariado, a prostituição da mulher pela fome, e a atrofia da criança pela ignorância - não forem resolvidos; enquanto houver lugares onde seja possível a asfixia social; em outras palavras, e de um ponto de vista mais amplo ainda, enquanto sobre terra houver ignorância e miséria, livros não serão inúteis.

Bú? Prefácil - VICTOR HUGO.

sábado, 10 de novembro de 2012

13/11/12 (NY)


Passamos metade da vida à espera daqueles que amamos, e outra a deixá-los.
O futuro pertence ainda mais aos espíritos do que aos corações.  
Amar, afinal, é a única coisa que pode ocupar a eternidade, pois ao infinito é necessário o eterno inesgotável.O amor em vida não passa de uma oportunidade de encontro; só depois da morte se dá a junção; os corpos apenas têm o abraço, as almas têm o enlace.




Sabe o que vem a ser a amizade? - Indagou.

- Sim - respondeu - é ser como irmão e irmã; duas almas que se tocam sem se confundir, dois dedos da mão.




- E o amor? - Prosseguiu.

- Oh, o amor! - disse ela - É ser dois e não ser mais que um. Um homem e uma mulher que se fundem num anjo. É o céu.




Bú? Faltam-me palavras para escrever, falta-me leveza com as letras e sabedoria com os pontos. Meu eu ainda não é lirico o suficiente para te fazer ascender com as minhas orações.
Que Victor Hugo consiga expor aquilo que meu coração sempre irá sentir. 
Que os anjos consigam ao seu lado sorrir, e comemorem ai no céu; pois na Terra ainda choramos, incansavelmente.

A desordem é tenaz.


Fingindo ter forças, querendo fazer crer que teria coragem, ele diz:
- Posso lutar contra você.

Ela, friamente, responde:
- Você irá perder.

Ele, com tristeza, questiona-se:
- Onde está a sua compaixão?

E com uma dura resposta nos lábios, ela responde:
- Em nenhum lugar que você consiga alcançar. Eu não tenho compaixão por você, eu sei que você é invulnerável  a qualquer arrependimento.

Bú? A VERDADE TEM MUITAS CARAS

A verdade tem muitas caras

Sacrificando-se, a jovem diz:
- Queria ser como a senhora. Responsabilizando-me por mais um erro, pois sei que para esse haverá penitencias que me livrem do pecado, ouso dizer que invejo a senhora. Quem me dera ser como és.

Sem entender, a senhora indaga:
- Por quê?

Apesar de toda a dor, a jovem permite que a resposta saia:
- Porque já não consigo dormir.

A senhora, que agora compreende melhor, assume:
- Talvez, ambas, não tenhamos tido boas noites; talvez, não estejamos dormindo muito bem. Na busca pelo pecado nos distanciamos de Deus, e é claro que isso tem preço, o valor está além da descoberta do pecado.

Silenciosamente, a jovem diz entre lábios apertados:
- ...Compreendo...

Descendo do seu pedestal de ar, entre lágrimas soluçantes a senhora confessa, como se um padre feito de vento e garoa pudesse absolvê-la da culpa:
- Tenho dúvida. Tenho dúvidas tão grandes, que se alimentam do meu sono com pontos de interrogações intermináveis para além da madrugada.

Bú? Tantos laços, tantas amarras; os controles, pretensões.
n
ada adianta se o vento não soprar.

Enquanto os olhos fecham...


Tenho vivido dentro da minha bolha de sabão, através da qual vejo o mundo e ele me vê.


Não olha agora, estou olhando para você.


Lembrei, pensei, medi, senti e paralelamente a tudo isso o Mundo continuou a girar. Olhando daqui, agora, as coisas parecem um pouco fora de lugar; mas talvez eu é que esteja me posicionando do lado contrário à luz. O Mundo mantinha seus movimentos de rotação e translação, enquanto eu fingia que um vagalume era a Lua me esperando além de qualquer limite físico que me impeça de enxergar.

No nosso livro a nossa história é faz de conta ou é faz acontecer?


Nas últimas noites eu despertei ao luar. Eu acordei, ao invés do despertador, algo me despertou. E eu me dei de presente madrugadas afora.


Dê-me a Lua que eu te faço adormecer.

Fiz “muito”, fiz “nada”, passei horas olhando para além do teto acima da minha cama, como se cimento e tijolo fossem translúcidos ao luar, enxerguei  para além do céu. Porque tem horas que parede nenhuma pode me conter.


Larguei-me, dormi, nas margens de mim.

Bú? Eu quis prestar atenção
Tudo o que é menor, mais lento e baldio
Deixo o rio passar tão voraz, veloz
Me deixo ficarQuando o sol acena bate em mim
Diz valer a pena ser assim
Que no fundo é simples ser feliz
Difícil é ser tão simples





Anoitecerá


Houve uma madrugada em que ele não prestou atenção, entre uma risada e outra, suas mãos depararam com as dela, seu corpo encostou quente em alguma parte do dela. E, então, o tempo foi longo. Do primeiro beijo à dança de rosto colado que mais parecia o corpo fazendo declaração de amor. Com ações escreveu no espaço uma canção para a menininha, uma derradeira confissão, feita na tradução das palavras que não cabem na boca. 
Houve essa noite em que seu corpo disse e o dela respondeu. Não havia receio, nome, raciocínio ou amanhã.  Ele acordou obstinado a montar vigília, com olhos de coruja, sem perder um só de seus movimentos. Aquela tinha sido apenas a sua noite de folga, uma noite de longa fuga a dois.

Bú? Vou arma minha rede na nuvem, na noite será?!

Cê parô - Separo.


A vontade dele era de fazer um pequeno abrigo, e morar nela; ela, a quem ele não dava nome, que só existia entre quatro paredes, num querer proibido.
Ele queria morar nela, mesmo sabendo que naquele corpo não cabia; ela era tão pequena, magrela, um menino-moleque e naquele corpo de pseudo-menino ele queria uma mãe. Para então naquele corpo de mãe, poder ser homem, pai.

Ele não se reconhecia nela, mas só se achava, compreendia-se e se completava ali, nela. Ali ele fazia suas confissões, a respeito do que lhe metia medo, das mentiras que a vida lhe fez, dos desejos que nem teve. E diante dela ele já nem sabia o que era verdade.
Ele queria entrar ali dentro e nascer outra vez: puro, diferente, autêntico. Desejava adormecer nela, mesmo que no dia seguinte saísse ao encontro de sua vida cotidiana. Os amigos de longa data, que ele só sabia amigos por assim ter aprendido, não sentia aquele bem-estar neles. Há muito ele vinha separado do seu bem-estar; ele, que vivia para fora, robô de si mesmo, sem se perguntar se era mesmo por ali.
Ele sempre voltava para ela.
A cada noite ela lhe contava uma história, e era sempre a história dele que contava. Como se lhe voltasse um espelho e, ali, ele se visse nu. Ele gostava de ouvir sua própria história, mesmo saindo dali assustado e com medo. Havia muitos e muitos anos que ele evitava o espelho, mas o dia chegava ao fim e ele voltava para ouvir mais uma história, rara se ver mais um pouco. Havia naquelas histórias alguma coisa que o atraía, algo que o intrigava, de que ele vinha fugindo, que ele vinha desprezando, até que no caminho de fuga deparou com.
Ele fugia de sua própria vida e, no caminho que tomou para evitá-la, a encontrou; a garota sem nome que
 lhe contou, ela, que era invisível, que ninguém mais conhecia. 
A vida em volta continuava a mesma, embora ele sempre voltasse. Eram amigos, disso, ele tinha certeza. Ele queria morar nela, mas tinha medo de ali ficar; ela queria, sim, a sua presença, ali, ele seria sempre bem-vindo. Mas o desejo dela não era o de engolir. Ela era pequena, a menor de todas, tão menor que ele. Mas ali ele permanecia noites inteiras, confortável, naquele canto exato e quente.
Ela não o queria para si, embora o quisesse. Desejava em seus sonhos que ele a quisesse tomar para si, queria que ele sempre fosse bem-vindo, como queria ser bem-vinda sempre; almejava, de vez em quando também se hospedar nele, mesmo que por um tempo limitado, com a certeza de que a casa nunca seria sua.
Ela queria aquele amor macio e estranho, sem garantias de ser para sempre, ela queria aquele amor fresco de hoje; queria amar com liberdade, embora soubesse do seu próprio o desejo de pertencer. Ela queria poder ser dele, mesmo não sendo. 
Queria um pedido de casamento para lhe dizer o mais amoroso não. Para então tomá-lo pela mão e desenharem juntos os caminhos a dois, sempre de mãos dadas, com a suavidade de não fazer tudo sempre igual. Ela queria a solidão dele, queria dividir com ele o seu sem rumo. Ela o queria quase toda noite, ser esmagada na parede, dividir um coração apertado e quente. 
Queria cuidar dele enquanto ele estivesse hospedado nela. Queria hospedar-se nele também e, ali, naquele espaço de tempo, receber seus cuidados.
Ela queria amar para sempre e para sempre ser amada, mas não buscava a promessa – não era ali que morava o para sempre. Ela também queria a falta dele, de que também era feito o amor por ele, o amor dele por ela. Ela o queria inteiro para si mesmo e tanto maior ao seu lado. Ela queria, não a promessa mas, a vontade. Ele queria, não a obrigação mas, a sorte. Eles queriam estar sempre começando de novo. Ela, que tinha uma história comprida, que vinha gastando no caminho. Ele, que há anos vinha arrastando o peso da sua. Muitas vezes ele pensava em desistir dela. E dela fugia. Mas era de si mesmo que ele fugia. Ele saía. Mas sempre voltava para casa.

Bú? 
Procurava o amor em jardins de cactus

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Sad Songs For Dirty Lovers


John Steinback escreveu:
“Parece-me que você ou eu devemos escolher entre dois cursos o pensamento e a ação,  devemos nos lembrar da morte e, assim, viver a tentativa de que nossa morte não traga nenhum prazer ao mundo."


É tudo verbo, verso, prosa atoa. Tudo pode ser cuspido, rasgado, obra prima perdida em rasuras. .. Paixão destituída de sanidade, não quero mais o encaixe de tudo, o úmido da língua, o perfume da pele, a carícia dos dedos.

Não creio mais em noites acesas, em madrugadas intensas, em manhãs de luxúria. 
Não creio mais em tardes febris e desesperadas. Não quero mais sensações de eternidade, sussurros advindos do querer.   Creio em frases desacompanhadas, em palavras cruas, textos sem autor. Tudo é falta de comprometimento, tudo é vácuo, vazio, relento. 
É um longo banho de culpa, tentando se lavar com honestidade momentânea;  é uma prolixidade que não diz, arrematada por um silêncio que não acalenta.


Bú? Can’t Stop This Thing We’ve Started

domingo, 4 de novembro de 2012


" Imagine que você está a beira-mar e que você vê dois navios partindo.
Você fica olhando, enquanto eles vão se afastando, cada vez mais longe, até que finalmente aparecem apenas dois pontos no horizonte, lá onde o mar e o céu se encontram.
 E você diz: "Eles se foram".

Foram aonde? Foram a um lugar que sua vista não alcança, só isto.
Eles continuam tão grandes, tão bonitos e tão importantes como eram quando estavam perto de você. 
A dimensão diminuída está em você, não neles.
E naquele exato momento em que você está dizendo "Eles se foram",
 há outros olhos vendo-os aproximarem-se e outras vozes exclamando com júbilo: "Eles estão chegando!" "
-> Sobre o fim dos lírios.

Rasgue seus cadernos

Durmo pouco, as noites costumam ser enormes; olho para cima, atravessando meu teto vejo o céu. Em uma noite luminosa, as estrelas escrevem; sem entender, normalmente, apenas compreendo. Também sou essa escritura, sou esse poema, que nesse exato momento alguém - me - soletra.
Um texto composto por urgências: alegrias complementares, tristezas absolutas. Cheia de ausências - delineado por espaços e reticências, sou composta por excessos. Eu não caibo no estreito, vivo, só, entre extremos - no maniqueísmo da ortografia transformada e transformadora; caminho, desequilibrada, em cima de uma linha tênue entre o sagrado e o profano. 
O que tenho de mais obscuro, é o que me ilumina. É a minha lucidez que é perigosa. Diria que sou irremediável, dentro do fato da escrita irreversível, encontro-me hermeticamente fechada.


Bú? 
No meio do nó(s)

Dialética - desnudada veste social

Abro a porta, escancaro os cadernos e destampo a caneta, torno mais agradevel a posição dos livros que leio para que as palavras venham nocivas, indecisas, despudoradas, vestidas de dores, de mágoas, de raivas. Que cheguem até mim como quiserem, que se ofereçam delicadas ou urgentes, despidas de tudo, eloquentes, mas que sejam translucidas. Sem falso moralismo, recalques, alegrias artificiais, entusiasmos opacos.
Através dessas linhas tortas e torpes surjam palavras: inocentes, indecentes, inexistentes. Componham frases, poemas, cartas, músicas. Apareçam livres, eufóricas e aladas, sem apego ao eu-lirico, ao sentimento. Venham vivas, mesmo que para falar, acidamente, dos mortos que ainda não foram enterrados. 
Que se apropriem da temática e narrem uma história de amor entre aquela que não morreu, e aquele que não renasceu; que os apófricas possam ler, que os acadêmicos consigam sentir.

Bú? "A palavra é o próprio homem. Somos feitos de palavras. Elas são nossa única realidade ou, pelo menos, o único testemunho de nossa realidade". Octávio Paz

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Condensação dos ventos


Onde a poesia parece dissolver e se refaz em seguida: é lá que a gente se encontra. Não junto. Você se encontra com você e eu comigo mesma. Suba as escadas e abra a porta, observe as coisas que você nunca viu antes; quero que reconheça essa casa mesmo no escuro.
É na tentativa primata de seguir sendo que podemos nos olhar, reconhecer e, quem sabe, furar o cerco dos olhares que não nos olham. Talvez façamos algo que fira a visão indolente dos que nos ignoram tão facilmente. Eles foram se encantando e se envolvendo; depois, é claro, de alguns truques. E então, o caminho enveredou por rumos desconhecidos, mas você já havia domado seus olhos para os caminhos abstratos. Atravessou a avenida, carregando o vento sobre seus ombros, e a encheu de memórias. Você está chegando no começo, esse é o começo de algo que está prestes a acabar.
Primeiro segredos, histórias e músicas, mas a verdade teve que ficar para outro momento, um momento de menos honestidade. 
Foi essa hora que eu segurei e suspendi no alto de nossas cabeças, como luz de idéia ou lamparina discreta, a clareira que se fez na impossibilidade fértil. E você, viril, fecundou de vontades meu ensejo estéril, obcecado. Nasceu um rebento que não pude conformar.
Desculpe. 
A quem possa ferir esse afeto tanto, meu lamento. É que meu querer não conhece amenidades. Precisava de você. Não menos. 
É que havia demasiada solidão e saudade no espaço do vento entre nós naquele abraço. Tinha cheiro de amor-recém-chegado o seu perfume no final do dia, tinha uma eu impressa na sua pupila, e um você impresso no meu olho inteiro. 
O barulho da vida, do lado de fora da minha janela, pouco me importava; o que me domava as rédeas do impulso eram os ruídos vindos de dentro:  ranço, apego e desejo, merecidos, imerecidos apelos.

Bú? Ela matava a si aos poucos, diariamente, essa era sua função. Perto de matar a outra, numa luta perdida, para ambas, desfaleceu com a terceira respiração. - O caráter muda tudo.
Suas verdades, minhas mentiras. 

Oliveira

Era uma vez uma Isolda, que escrevia diariamente para  o seu Tristão.
Ela escrevia, escrevia todos os dias. A cada dia uma nova carta para seu amado.
Sentia-se culpada por não estar com ele, ele não sabia o quanto ela gostava dele e ela temia que ele não fosse descobrir.
Ela escrevia cartas todos os dias, uma por dia, nelas deixava um pouco mais claro o seu enorme carinho; orando para que ele as pudesse ver e retribuir com ao menos um enorme abraço e um belo olhar.
Ele, guerreiro que era, lutou com natureza, guerreou com sua rival - medieval -  doença. Venceu.
Como um príncipe, pequenino, ele retribuiu as cartas da sua querida Isolda. Sorriu, riu, beijou e abraçou.
Abriu os olhos e fitou-a profundamente. Seu olhar grato, que olha com a alma de príncipe, tomava-a nos braços como um grande amigo e um doce amor; ela raposa, cativada que estava, dispunha de qualquer gratidão entre lágrimas.

Bú? O verdadeiro homem mede a sua força, quando se defronta com o obstáculo. (Antoine de Saint-Exupéry)
O grande guerreiro, tem se mostrado cada vez mais forte e digno dessa força, que usa para sorrir e nos fazer sorrir, para vencer! - "Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas." ♥

VINTEUM

"Olhou-a de um jeito muito mais quente do que sempre costumava olhar"





Bú? Ghost. 21111983-16/02 (2121)

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Oirátigras - Zopellerdnaa

Não, não fomos companheiros ocasionais de viagem. Sabes bem que somos bem mais do que isso. Mesmo quando o teu coração se enche de dúvidas, mesmo quando os ciúmes te perfuram a Alma, mesmo quando me procuras e não encontras. Mesmo quando o céu se cobre de nuvens e não vês o Sol, sabes que ele lá está. Queria ser capaz de preencher todo e qualquer vazio que te causasse medo. Queria ser capaz de te orientar, dar sentido à tua vida e um destino à nossa viagem. Queria ser capaz de ocupar cada pedacinho de ti, estar em ti a toda a hora e a todo o momento. Mas a vida é feita de procuras, buscas, caminhadas. E os vazios, os medos e as dúvidas fazem parte essencial e determinante da vida. Por isso sei perfeitamente que, por maior que fosse esta minha vontade, precisarias sempre desse vazio para me encontrar, para me procurares.

Bú? Carta a um Romeu inseguro, ass.: a NÃO Julieta.

domingo, 28 de outubro de 2012

Super Heroi

Eu sei quem tu és.
Sei o monstro que encerras dentro de ti e que tens medo de mostrar, por isso finges que ele não existe. O problema é que o monstro se alimenta de sombras, cresce na escuridão. Vai crescer até não o conseguires conter mais e, nessa altura, vai fazer sentir a sua presença com uma intensidade igual à energia que tu dedicaste a escondê-lo e a sufocá-lo no mais íntimo de ti. Eu sei precisamente quem tu és. Sei o que te move. Sei de onde vens. Sei aonde pretendes chegar. Talvez não saibas mas dentro de mim tenho um monstro tal e qual o que guardas dentro e ti. Mas o meu monstro é alimentado com luz e não trevas. O meu desgraçado monstro está enfraquecido, controlado, debilitado; o destruo quando o coloco em combate, tu o fortaleces quando o esconde da luta.Eu sei quem és. Não escolhi saber. Até tentei não querer saber. Mas há coisas que vão além da nossa compreensão e da nossa vontade. Não tenho medo do teu monstro. Deixa-me ajudar-te.
Bú? Homem livre, tu sempre gostarás do mar [Charles Baudelaire (1821-1867)]  Não quero te domar, não quero que abandones o mar; quero que viajes de olhos abertos, pois todos podem te a vistar a beira da praia. 


"De cada amor tu herdarás só o cinismo
Quando notares estás à beira do abismo
Abismo que cavaste com os teus pés"

Dernier Frisson.


Suicide Girl and The Ghost

Ela é uma eterna suicida e ele é um fantasma.
Ambos estão presentes, um ao outro, um na constância e outro na ausência.
O que os mantém juntos? A vida e, consequentemente, a morte. Enquanto um procura um modo de viver, o outro procura um modo de morrer, definitivamente... Só que a vida é a soma e multiplicação, a divisão e a diferença, é a uma pequena porcentagem de momentos, e a morte é o resultado.
Ele tem fé, ela tem medo; acreditam que haverá um resultado nessa vida, mas se questionam o que denunciará que o resultado está prestes a chegar...
Como começará o dia, ao nascer uma vida? O que de fato anunciará o Universo, quando vier o resultado, quando vier a morte?
Qual será a última sensação?
21gramas é o peso que você perde ao morrer, 21gramas é o peso de uma vida.
Quanto pesará um corpo perto da sua morte?
Quantos gramas ganhará um corpo, quando estiver mais próximo da vida?

Bú? 0 gramas.

sábado, 13 de outubro de 2012

Ilusão de ótica


As pessoas passavam e olhavam aquela pintura abstrata, a qual nada de fato acontecia, só o ir e vir de olhares curiosos que chegavam e rapidamente partiam.
Ele resolveu ficar e fitá-la; ele olhava atentamente aquela pintura. Notou suas cores intensas e contrastantes, que pareciam lutar umas com as outras. As pinceladas eram tão firmes e, ao mesmo tempo, aparentemente aleatórias, que pareciam ferir a tela. Ele tecia todo o tipo de comentário a respeito da obra para si mesmo, enquanto os outros só passavam desatentos, perguntando uns aos outros onde ficavam os quadros realistas.
Eu, do meu lugar fixo, observava ele se aproximar silenciosamente; a passos cuidados como se ateasse o chão, ele chegou a minha frente. Via seus passos curtos, seu andar vagaroso e esperava ansiosamente que chegasse.
Já diante de mim, a algum tempo me fitando como poucos tiveram a audácia de fazer, achei que com a mesma calma você partiria. Mas com uma destreza inesperada você se fixou.
Um quadro abstrato sendo docemente fitado por observador peculiar; apetecia-me a sua calma passiva e o seu estar leve e direto.
Em alguns momentos ele olhava rapidamente ao redor, eu fingia não notar mas via seu interesse pelas outras pinturas, notava uma certa inveja que havia dele em relação aos outros transeuntes.
Ele se interessou por esse quadro abstrato, via em mim mais do que os outros costumam chamar de 'natureza morta'; mas seu interesse se fortalecia na sua insegurança.
Ele é inseguro, tem medo de tudo quase; teme a luz que incide sobre nós quadros, poderia mostrar ao mundo toda a beleza que há sobre nós e ele nos perderia; teme a falta de luz, poderia esconder temporariamente o que certamente notaria.
Ele ainda está aqui, noto sua insegurança no seu piscar de olhos - rápido e medroso, ele teme que eu parta nesse milésimo de segundo.
Adoro o seu medo, faz com que eu me sinta mais forte, segura, faz-me acreditar que ele estará sempre aqui, pois lhe ofereço segurança gratuita.
Investigo sua insegurança, pois ela torna minhas cores menos vivas; não quero que se faça presente só por não se achar capaz de analisar quadro melhor. Não quero que fique por acreditar que um quadro tão abstrato quanto a paixão já não desperta interesse alheio.
Enquanto ele me fita silenciosamente, enquanto ele teteia com seu olhar sutil, gosto de fingir que ele me diz:

"De real, basta o mundo. Eu quero é partir em busca do que é incógnito, improvável e incorreto. Eu vejo sentido no abstrato e, sim, muita vida no que muitos convencionaram chamar de 'natureza morta'. O que é mais abstrato do que a paixão? Ele não tem forma nem cor, mas é o que me faz parar o coração. A gente busca incessantemente essa sensação de enfartar de paixão, de sentí-la pulsando e estourando nossas veias. Que outra coisa nos leva a isso? O que mais justifica todos os poemas, todas as músicas, toda a angústia e inspiração do mundo? Só ela, a paixão. A pintura abstrata que eu aprecio como ninguém mais."

Bú? Delicadeza, a mais contundente resistência.

terça-feira, 26 de junho de 2012

E eu digo o necessário, somente o necessário - Já diria Aristóteles


[...]
aceito
até os silêncios
que me forem dados
expressar
com a transparência das deixas
nem tanto o que
represento
mas sim o que representa
a minha presença
nesse
palco
(Luci Collin)

quinta-feira, 21 de junho de 2012

O retrovisor deveria retratar o que deixamos para trás.

Você fecha a porta e liga o motor, eu abro a janela levanto minha mão e dou adeus...Eu quase consigo ouvir você pensar, como esses dias puderam passar tão rápido. Você chegou a tempo de me ver te esperar.
Ao entrar em casa, então, tire os sapatos você veio de um lugar distante, andou todos esses longínquos quilômetros e agora está no lugar certo. Eu não quero nenhuma marca do ontem, nessa redoma que pode enfim celebrar o agora.
Essa é nossa festa, eu estou enfim sorrindo e posso cantar o seu nome, é uma canção de ninar que fiz enquanto esperava você chegar. Então durma.
E os pesadelos e os monstros, e seus maiores medos, a minha mais triste lembrança de você (te ver partir) vão desaparecer ao longo do tempo; você não será encontrado aqui, na nossa redoma.
Durma, ninguém há de te acordar, e amanhã você ainda estará aqui, NÃO IMPORTA ONDE OS TEUS SONHOS TE LEVEM.
Agora você percebe? Todas as quedas e vôos, todas as noites sem dormir, todos os sorrisos e suspiros, tudo trouxe você até aqui, tudo trouxe você para casa.
Abaixe essa mala, essa arma, a luta acabou você não precisa mais disso.
Este teto é um cobertor, que te mantém aquecido dentro do silêncio, depois da tempestade.
Você entende? Esta chuva sem fim; esta luta, sem sentido; esta despedida, tão fugaz. Agora tudo faz sentido, isso lhe trouxe até aqui, isso só te trouxe até aqui.Tudo isso lhe pôs, outra vez, dentro de casa.

Bú? Julho.

terça-feira, 12 de junho de 2012

Fim do 1º semestre

Sobre a ansiedade do fim de verão:
Nesses tempos tenho visto as nuvens da chuva sobre a cidade, eu enxergo com clareza o cinza afugentando as cores. E a saudade das diferentes nuances de cores atacando os cidadãos, os fizeram fugir munidos de guardas-chuvas.
O instinto que me instigava a me limpar da multicor demasiada saturada de matiz intensa, foi o mesmo que me segurou para analisar a transição dos tons, do brilho, ele dizia:
Segure-se, não vai demorar muito.
As cores vão retornar aos seus donos, e os cidadãos hão de emergir de suas capas.

Vejo o medo assumir; e os corações endurecidos com a proximidade do temer, batem com dor e por isso odeiam amar.
E então o desejo infantil de afagar um gatinho, ou ter um jantar romântico me impulsionavam a ter um amante; mas, ao mesmo tempo esse desejo infantil de fugir e me esconder entre as minhas muralhas feitas de coberta e travesseiro, fizeram-me observar, aqueles desejos antagônicos dialogavam com a minha consciência dizendo:
Segure-se, não vai demorar muito.
Todos irão ver, o amor e os amantes surgirem do silêncio e, das capas de chuvas há de emergir casais.

Bú?! Podemos mudar de roupa, de época do ano, de estação, de companhia, só não podemos sair desta pele que delineia a nossa alma a realidade física que vivemos, nossa casa é onde o nosso coração está.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Se você tentar não amar quem ama, você vai aprender a odiar você mesmo

Antes que a dor me destrua os sentidos e que ausência me faça perder a vontade de andar para frente, eu me derramo aqui, em uma folha limpa.
Bú? Eu perdi as palavras. Na verdade, estou repleto delas. Não tenho é coragem pra falar.

domingo, 22 de abril de 2012

O menino que mudou de nome, o homem que mudou de cidade.


Sinto vontade de te dizer o mundo e tudo aquilo que não sei, o que ainda não foi aprendido. Eu te diria do mistério das flores e a exatidão das peles, cores, matizes do espírito que revolucionou a ausência e desafiou a extinção. Contaria dos segredos sem, contudo, revelar o vazio preenchido da vida que não conhecemos. Há mais arte nos vácuos, esquinas, largos, as praças onde respiramos. Há beleza no espaço e eu insisto em falar do que te tenho. Eu quebro, querido, a harmonia. A riqueza atroz se insinua e tenho vontade de mitigá-la, mal posso conter o impulso. Você me olha e a perfeição precisa ser violada ou terminarei sua escrava. Melhor faria eu se permanecesse calada. Sei. Porque o nada é tão sagrado e criativo quanto o verbo bem sucedido.  Adicta na contradição dinâmica de me ver de diferentes jeitos sempre tão estagnada. Sou eu mesma meu oposto. Sou confusa porque devo ver nisso muita elegância.O ponto exato do alto é quando não nos compreendem. Aí podemos ser verdadeiros com convicta tranquilidade. Não teremos de nos explicar. A dúvida é fruto de algum entendimento.
Eu, no entanto, não gozo do privilégio de poder ser ambígua ou de outra forma imprecisa. O que te digo é direto e simples, está a salvo de qualquer engano. Uso palavra que não faz curva.

Bú? Amor.

E a ponte vem sendo a distância de quem tá só

Eu quero que meu impacto nas pessoas seja sutil como a colisão de dois caminhões em sentidos opostos. A gente precisa trafegar no território desconhecido pra aprender que ele é tão previsível quanto a sala de casa. A gente faz o nosso caminho, e é normal que ele seja estreito e sinuoso, ninguém consegue andar em linha reta por muito tempo. Não sei o meu próximo passo, mas vivo meus dias e noites em função de fazer com que os meus pés toquem sempre o caminho que eu construí. Qualquer passo descuidado trará o chão para um brusco encontro com a minha face distraída. Basta que haja equilíbrio. E esse equilíbrio não se dá de olhos fechados, muito menos se olhando por onde anda. O que me protegeu de espalhar minha cabeça pelo meio-fio da calçada foi o fato de eu sempre andar no meio da rua. Tudo bem, eu já caí, de tanto olhar pro céu...mas nunca tropecei, pois quem tropeça é porque estava insistentemente procurando pedregulhos no chão, e os achou...com os pés... A dor no peito daqueles que tiveram medo é infinitamente maior que a dor de quem tentou e caiu. Depender apenas dos próprios punhos é assustador, mas a cada obstáculo transposto, a gente aprende que – sempre – pode mais.
Digo isso porque há muito tempo conclui que não existe nada mais valioso do que um objetivo em mente. Um sonho, por que não?
O sonho nada mais é do que uma realidade que pode assumir qualquer tamanho e forma que a gente conseguir imaginar. Não fomos dotados da capacidade de sonhar por acaso. Use esta capacidade. Sejamos maiores. Tenhamos CORAGEM. Esta é uma luta em que ninguém vai entrar no ringue pela gente. NINGUÉM.
Eu me encontro frente a uma antiga muralha que há anos se coloca em meu caminho. Paredes escorregadias de limo que não se deixam ser escaladas. Obstáculo. O que há do outro lado? Não sei. Mas não é do meu feitio ficar aqui, parado. Não consigo lembrar de cabeça o nome de alguém que realizou seus sonhos sem ter, para isso, passado por todos os tipos de obstáculos.
O que é prever o futuro, senão fabricá-lo com as próprias mãos? Prever o futuro é moldá-lo com atitudes, inspiradas nos mais ousados sonhos. Inconscientemente, queremos que nossas ações desencadeiem uma série de acontecimentos cujo roteiro já foi definido na nossa cabeça.
Me dóem os pés, dor essa que ignoro toda vez que minhas solas encontram novo chão
Bú? 
Que passe o tempo. Que ele escreva as linhas e deixe para mim somente a prazeirosa função de pontuar as frases. O tempo passa sozinho, e não há nada que possamos fazer para assumir seu controle.

terça-feira, 3 de abril de 2012

Vivo para não morrer em vão.

Só me diz o que tu sempre quis, se é tudo o que tu quer ouvir; e se isso pode me ajudar a te fazer pensar...
Só me mostra se é isso que tu quer, e então eu vou te escrever até você ler nas entrelinhas. Veja bem, eu não quero te prender, quero nos libertar. Então, deixa assim, guarda um pouco de ti para mim, deixa eu ver no que vai dar...
Faz o que quer, vai até onde as tuas pernas aguentam chegar mesmo longe do meu olhar; porque se for errado tentar, vai ser errado descobrir o que você irá deixar para quem nunca te deixou partir...então vai...Eu espero, eu vou esperar, mesmo sabendo que não vai voltar; mesmo sabendo que nunca vai voltar; deixa a ilusão, ela destrói meu coração mas me permite sonhar.
Se há razão para chegar, se eu não posso te levar, eu seguirei você.  Então, a onde você for voar e vou estar, eu vou na mesma direção, estou aonde você está.
E quando menos esperar terá um novo caminho perto do nosso lar, e não vai ter motivos pra ficar perdida em tanta distração.






Bú? "I never knew daylight could be so violent.
A revelation in the light of day,
You can't choose what stays and what fades away.
And I'll do anything to make you stay,
No light, no light…
Tell me what you want me to say"